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Resenha: Reaktion – “To Expect Nothing” (2021)

Sabe quando determinada banda lança um disco e este logo remete a outro trabalho semelhante, e da mesma época? Isso costuma acontecer com mais frequência quando se comparado a algo mais antigo, como um disco de uma banda renomada que acabou servindo de inspiração bem abrangente e destacável. Porém, o caso aqui é diferente, e os hispânicos do Reaktion propuseram ao público do Thrash um trabalho na linha dos seus conterrâneos do magnífico Angelus Apatrida. Mas, nem por isso deve ser chamado de cópia, pois este não é o caso. É apenas a linha sonora que acaba por lembrar o trampo dos irmãos Izquierdo e cia. limitada, mas que passa longe de ser uma cópia. Dito isso, vamos conhecer um pouco mais do Reaktion, banda original de Barcelona, Catalonia, e seu mais novo lançamento nomeado “To Expect Nothing” (2021). O terceiro full-length foi lançado no dia 14 de junho via formato independente. Forma esta, bem mais viável nos dias de hoje, já que não ficam presos às correntes das gravadoras mais conceituadas. Não que não existam selos que saibam trabalhar com o Metal, pois a meu ver este é o melhor momento também para as gravadoras menores que se colocaram prontas para espalhar o Metal ao redor do mundo, sem levar qualquer ataque maciço dos navios cargueiros como outrora.

Conforme foi citado de forma mais simplória, “To Expect Nothing” é o disco que fecha a trinca inicial de álbuns da banda espanhola. Os outros dois discos atentem por “Blackmailed Existence” (2016) e “Learning To Die” (2019), respectivamente. Liderada pelos berros certeiros do frontman Iván Lara, a banda aposta novamente numa linha Thrash mais agressiva, porém, com muitas variações de andamento, o que fazem com que o adepto possa ficar ligado em cada movimento que a canção tomar. Longe dos dizeres sobre fazer “repeteco” como muitas bandas gigantes por aí (não é, Maiden?!), a banda busca se consolidar não apenas em sua proposta, mas também com toda a atitude demonstrada durante sua curta trajetória, dando a entender que os caras têm um belo futuro pela frente. Mas, o álbum novo é bom? Quer que eu diga de imediato? Assim, dará tempo de você montar a sua lancheira com duas maçãs e uma banana pra comer no recreio da sua escola. Bom, como eu sei que você é um verdadeiro apreciador do bom e nobre Metal, irá me dizer para disseminar as coordenadas de cada nuance para entendermos bem sobre o terreno a ser explorado neste exato momento. Às encantadoras moças que trafegarão conosco junto a essa nova viagem, apenas tomem cuidado com seus vestidos e com o cabelo, pois encontraremos um pouco de água cavidade terrestre adentro. Estão prontos? Amarraram os cadarços? Vamos à “terra prometida” do Reaktion!

   
Créditos: Reaktion Official Bandcamp

O disco gravado, mixado e masterizado por Mr. Ax, inicia a jornada pelo caminho deserto de “Overreaktion”, lugar este que marca as primeiras pegadas nas areias do Metal, aonde será exigida atenção redobrada para que se resista ao sol escaldante neste início do percurso. Ao adentrar neste mapa inóspito, você sente as vibrações das primeiras notas em forma de chamado para o primeiro embate da trama, comparável ao sobrevoo de um abutre que distribui através da extensão de suas asas escuras, as notas destacadas de baixo, que foi gravado pela própria banda, já que a mesma não possui um baixista em seu line up oficial, desde a saída de Dani Ruiz, primo distante do nosso querido irmão, Cristiano Ruiz, um dos grandes responsáveis por redigir textos incríveis em favor do Mundo Metal. Será que é mesmo?! (risos) E é neste exato momento em que somos jogados dentro da máquina moedora de ossos e tímpanos sensíveis, conhecida como Thrash Metal.

“The solution: eye for an eye
Who cares? If the world gets blind…yeah
This is just about us,
Give us satisfaction, this is not an OVER-RE-AK-TION”

Os versos nos contam sobre essa revolta contida e desejada para que se perca o controle de si e ataque os responsáveis por este mundo cheio de merda. Não é preciso invocar o Mr. M para saber sobre quem tanto nos assola desde o princípio. Que tornem ao pó imediatamente! Ah, e se você adora palavrões em músicas, esta nobre canção é um prato cheio ao melhor estilo Claustrofobia de se xingar. Ou seja… Xingar com ampla razão e muita maldade da “braba”. Os riffs insanos somados às quebras e viradas grotescas (no melhor dos sentidos!) de bateria trazem à tona outro grande ícone recente, o Ultra-Violence, apesar de que este nos brindou com um dos piores discos da história, modificando toda a ideia traçada em seus trabalhos anteriores. Uma pena, mas para o Reaktion é apenas o começo. E que começo com direito a um solo devastador de almas intrusas prontas para assombrar o deserto ao qual tivemos que percorrer. Cortesia inicial de Álvaro de Prado. “Neste mundo de merda cheio de filhos da puta / Neste mundo! onde nada importa / Às vezes eu adoraria perder o controle / Às vezes! Eu adoraria foder todos eles.” A sequência da caminhada se dá através de um vale sombrio, acompanhado pela “The Immortal Unreason”, que apresenta em seu cardápio a veia referente aos compatriotas do Angelus Apatrida. Perceba isso através do formato do refrão desta “múzga” que permeia o vale e desencadeará para o desfiladeiro perto de uma floresta. As sombras são vencidas pelas notas poderosas, contribuição pesada dos guitarristas Gufy e Álvaro. Desde o início percebemos as nuances e mudanças de ritmo proferidas pela banda de forma concisa e ideal para quem aprecia o Thrash feito de forma equilibrada, sempre mantendo o peso em suas levadas, destacando todos os instrumentos, além do próprio vocal de Iván Lara. “Traindo os sentidos / É apenas uma sentença de morte / O crepúsculo dos ídolos chega / É hora de os instintos … surgirem!” – o instinto tomando conta da razão e tornando a todos meros seres irracionais, muito piores do que qualquer ser vivo a ocupar este planeta.

Créditos: Official Facebook / Divulgação

Ao final do vale avistamos o desfiladeiro citado anteriormente, terminando em uma floresta negra chamada “Before Your Eyes”, e é diante de seus olhos que avistamos de perto o mundo atual em completo parafuso, quase sem esperança de retorno ao que era de costume. Alguns tentam manter o coração congelado, ou o que resta dele, quando alguém morre. Entre o desfiladeiro e a floresta existem vários rastros de sangue deixado por vítimas de uma época ingrata e sem glória alguma. E é nessa pegada de sofrimento e impunidade que a canção começa. Repleta de energia, e uma bateria contagiante de tão agressiva. Agradeça ao guia turístico e dono das baquetas, Xavi F. Vidal. Os riffs de guitarra o acompanham de forma incisiva e malevolente o suficiente para esganar qualquer bandido que ousar estragar a jornada. Pode-se ter uma nítida impressão de estar em terreno mais extremo do que nas outras faixas, mas o equilíbrio é a chave dessa trinca inicial, e se você adora percursos perigosos, este é daqueles em que você paga duas vezes para garantir e ressaltar a qualidade do mesmo. “Não importa o quão duro eles lutem / Gritos em vão no meio da noite / Vindo de um amanhecer eterno / A maldição do lugar onde nasceram” – o chamado coração do primeiro mundo está entorpecido e quando os sonhos estão perdidos, as esperanças morreram e se foram. O mundo está mudo para o injusto e surdo para os gritos, clamando por piedade e sobrevivência. A quarta etapa do circuito liga a floresta com sua versão pantanosa, e que termina em uma bela cachoeira, símbolo de “Bleeding Of Memories”. E é nesta cachoeira que o sangramento das memórias deságua, dando início à corrida da água avermelhada, representando em seu tom todo um passado sofrido de revivido no presente e complicando ainda mais o ambiente. A sensação que as estrofes trazem são de uma pessoa lutando consigo mesma diante de tantos pensamentos ruins do passado, dos quais luta para que não fiquem presos à sua mente, o que se torna cada mais difícil e cansativo de se concretizar. Como um verdadeiro chamado para a batalha campal, a faixa dá as caras sem medo de se esquecer dos freios. Saltar da cachoeira citada deixa de ser um problema quando se está preparado para enfrentar as desgraças de volta à tona. A canção ganha tons extremos em sua segunda parte de forma breve, mostrando uma habilidade bastante competente quanto aos vocais de Iván. O mesmo ainda segue destilando seu veneno vocálico sobre os solos de guitarra, assinados novamente por Álvaro. Gufy mantém a retaguarda firme e forte o suficiente para também explorar riffs e dedilhados mais desafiadores e muito bem inseridos em mais uma excelente música.

Diante de um percurso grandioso temos “Obsessions”, e a partir do trecho final dela, que podemos visualizar todo o sentido da quinta parte deste enredo musical. “Não deite mais na cama / Não pense em um mundo feliz / Porque se você fizer / Obsessões vão permanecer dentro de você.” O início melodioso e melancólico somado aos vocais distorcidos e por vezes limpos de Iván, demonstram a angústia de alguém que ao se deitar presencia a nítida sensação de que é a hora de dar um fim nisso… Musicalmente pode ser algo a ser perder no álbum, principalmente para quem compactua com discos mais retilíneos, ao invés das variações que boa parte das bandas de Thrash costumam inserir em seus trabalhos. Agora, juntando a climatização com a abordagem, encontramos na sonoridade todas as cenas referentes às partes da letra. Pouco mais da metade para o fim da canção, os fãs de Thrash mais tradicional podem bater palmas como o Ozzy Osbourne em seus shows novamente. Afinal, lá estão a ‘rifferama’ insana de volta, mas sem perder a parcela de angústia contida no plano. Aos que estão passando por algo do tipo, libertem-se, sim! Mas, libertem-se destes pensamentos obtusos e vivam suas vidas. Nada é mais valoroso do que viver! A faixa-título surge no exato momento em que encontramos a caverna subterrânea, a qual adentraremos, e na placa que indica o local de entrada está escrito exatamente “To Expect Nothing”. Ao entrarmos na caverna nos deparamos com os primeiros acordes carregados de energia, pratos e pedais, palhetas movimentando as cordas, e ação! A caverna começa a desmoronar um pouco, mas é só para dar aquele clima de “Indiana Jones” a nós, forasteiros nesta película. Sobre viver e correr riscos para aproveitar melhor a estadia na Terra é o que manda o testamento desta canção. “Perdendo seu dia, esperando a noite / E passando a noite temendo o amanhecer / Não é que tenhamos pouco tempo de vida, / Mas que desperdiçamos muito … muito disso” – enquanto Iván explora suas habilidades em canto, a banda se empenha e distribuir bordoada para tudo quanto é lado, sem se perder na premissa de que o lance é tocar Thrash, e sempre será Thrash. Ouviu bem? Fique atento às estalactites e às estalagmites. Foi tropeçando em uma que eu descobri a diferença entre ambas. Xavi, xará do craque e ex-jogador que fez história no Barcelona e que agora é treinador do mesmo (pensou que eu deixaria passar batido, né?!), simplesmente destrói em seu kit, mostrando amplo empenho e técnica para executar com maestria o seu papel de esmagador percussivo de ossos. Iván tira da cartola um grito próximo do agudo e rasgado, o colocando como parte estratégica do final da canção. Excepcional! “Esqueça os objetivos, esqueça o objetivo / Esqueça o que você aprendeu para encher sua alma / Ouse arriscar, ouse ir / Ouse correr riscos e ouse amar” – só para reforçar o recado!

Créditos: Joaquin Rodriguez Drums

Há muitas galerias que fazem conexões com diversos locais, porém, o caminho indica para seguirmos por “Rainy Fridays City”, e o próprio nome dá amostras claras do que deseja dizer. Em meio às metáforas sobre tempestades de trovão ligadas ao personagem Thor, o rancor e a desilusão são destaques nesta etapa do caminho. São chuvas intermináveis e que trazem mais dor quando a sexta-feira passa. Isso dá a entender que nem mesmo o final de semana é capaz de salvar esta alma entristecida e corroída por seu passado carregado de um amálgama soturno, e nauseante. “Trovões, trovões acima / Os trovões estão começando a cavalgar / A tempestade, a pior tempestade / Mas a pior tempestade vem de dentro” – quando chega sexta-feira, o diabo vem à tona e quando o fim de semana se apresenta, o medo deste ser cresce. É começar a chover que o entristece e cada dia que passa, só o aproxima do fim. É o tipo de canção iniciada pela bateria, e que logo em seguida, tudo começa a funcionar e exalar o seu odor sonoro. Podemos dizer que esta é a faixa mais Rock ‘n’ Roll até então, ou poderia citar algo como Thrash ‘n’ Roll, ao lembrar que existe o consolidado Death ‘n’ Roll. Mas, a premissa segue sendo a mesma, ou seja, o Thrash prevalece e o Reaktion espalha o seu molho por todos os arredores de suas respectivas composições. Gufy e Álvaro mostram serviço e executam com muita competência variações e riffs com muita precisão. Isso sem contar novamente os solos reproduzidos pelo segundo, apoiado pelas bases excelentes do primeiro. Entre a galeria principal e o labirinto que a caverna possui, ecoam todos os fraseados e partituras dos solos muito bem elaborados. Não sendo surpresa apontar como os melhores solos do disco. Existem lagos submersos ricos em minérios e que jamais foram encontrados pelo homem. Mas, nós, bravos e destemidos arqueólogos do Metal, estamos firmes, mesmo que os sapatos estejam encharcados. Avisei também sobre os vestidos, não foi? “The Curse Of The Wisdom” fica perto da saída e mostra ao público o preço do aprendizado. O sábio, além de carregar todo e vasto conhecimento, traz consigo também várias sequelas provocadas por isto, já que se exige muito sacrifício ao buscar cada vez mais sabedoria. Na canção, Iván busca entender se sempre haverá um preço e qual esse preço para obter uma grande quantia de conhecimento. A disputa por pedras preciosas e descobertas através das escrituras nas pilastras e paredes disformes das galerias profundas trazem ao plano principal um mosh completamente insano, e este antevê outro solo visceral de guitarra, complementando as tradições por aqui. “Essa triste ironia conduz meu caminho / O aprendizado vem depois da ira / Qual é o objetivo de tudo isso? / Qual é o ponto?” – o peso dos instrumentos conduzidos pela banda exerce o papel de indagação certeira e faz o ouvinte ‘banguear’ até encontrar a solução para este caso.

Ao chegar próximo a um feixe de luz que ilumina boa parte do território adiante, encontramos a sigla com seu significado logo à frente, “H.K.K. (Human Kind Kills)”. Mais direta que um direto de boxeador profissional, ela chega com tudo e atropela tudo pela frente como um elefante desgarrado, não deixando pedra sobre pedra, para formalizar o dito de quando algo é realmente esmagado. Seja nos momentos velozes ou mais carregados, esta é sem dúvida uma das canções mais agressivas e diretas do álbum, contando com um solo incinerador de estadistas engravatados inúteis! Essa fúria possui significado com nome e sobrenome, já que a letra trata a humanidade como assassina de si mesma. E isso é e sempre será assim, infelizmente. “Defenda seu território / Sua sociedade imaculada / Suas crenças, sua fé vazia / Leva o homem a uma zona de guerra” – a humanidade mata, mata, de forma suicida, genocida, e trucida com sua própria espécie, ao mesmo tempo em que os imbecis e medrosos recebem suas insígnias de assassinos fardados.

Créditos: Hugo Playán Morga

“Toda a nossa história é uma cadeia de instantes / Sinta a vida sem resistência / Abrace o vazio, agarre o nada / Ou rasteje pela vida cego e indefeso” – Algo que pensamos ser uma necessidade é um desejo levado por um desespero e isso acaba por se tornar obrigatório em nosso caminho para uma falsa glória. Esse é o desfecho relacionado ao rodapé do mais novo trabalho dos residentes de Catalonia. E assim inicia a última faixa do disco, “Breathing Silence”, com o jogo de pratos comendo solto. A introdução lembra um pouco “Mask” do Sepultura, canção que faz parte do álbum “Kairos” (2011). A partir daí a mesma alterna entre partes mais estridentes e mais cheias, ou simplesmente, pesadas. O quarteto espanhol finaliza a obra de forma exemplar. Ao fim da viagem, temos nítida sensação de o caminho seria muito maior se não prestássemos a devida atenção quanto aos detalhes de cada canção. “Breathing Silence” representa a saída da caverna e o reencontro com o sol, aproveitando a sua ida e início da bela noite. É bom acendermos uma fogueira para nos secarmos ao calor antes de partirmos para comemorar mais uma descoberta recheada de curiosidades positivas, que não só enriquecem o Metal como um todo, mas que torna o Mundo Metal, como o verdadeiro centro das grandes notícias sobre o assunto. Nos despedimos aqui, mas logo estaremos de volta para mais viagens ao redor do universo da boa “múzga”.

O mapa percorrido contém mensagens voltadas para os tempos sofríveis atuais, e cada canção esboça sua indignação através de um tema ligado ao cotidiano, que por sua vez, está ligado à sociedade e à tirania de diversos modos. É um álbum inteligente que toca na ferida e não liga pra frescura alheia, mostrando que ainda há vida lá fora e vontade de aprender e indagar sobre tudo, sem se deixar levar por máscaras e manipulações em troca de pertencer a algum grupo inútil de seres não-pensantes. E se você se saiu bem após toda essa viagem sonora, tenho motivos totais para dizer que você adora uma revolta musical. Quanto à banda, esta completou muito bem sua primeira trinca de álbuns. Tenha uma ótima reação ao ouvir o novo disco do Reaktion!

“In this fucking world full of fuckers
In this world! where nothing matters
Sometimes I’d love to lose control
Sometimes! I’d love to fuck them all”

Nota: 8,9

Integrantes:

  • Xavi F. Vidal (bateria)
  • Gustavo “Gufy” Revoredo (guitarra base)
  • Álvaro de Prado (guitarra solo)
  • Iván Lara (vocal)

Faixas:

  1. Overreaktion
  2. The Immortal Unreason
  3. Before Your Eyes
  4. Bleeding Of Memories
  5. Obsessions
  6. To Expect Nothing
  7. Rainy Fridays City
  8. The Curse Of The Wisdom
  9. H.K.K. (Human Kind Kills)
  10. Breathing Silence
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