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Possessed (Live Review): celebrando 40 anos de “Seven Churches” em show devastador em São Paulo 

Photos: Geovani Vieira

No último dia 19 de junho (Quinta Feira), São Paulo foi palco da única apresentação do Possessed, banda que retornou ao Brasil, desta vez com a turnê que celebra o aniversário de 40 anos de “Seven Churches”, um dos discos influentes e responsáveis pelo nascimento e fortalecimento de dois gêneros extremos dentro da música pesada: o Thrash Metal e, principalmente, o Death Metal.  

Após alterações na data e local, o quinteto americano composto por Jeff Becerra (vocal), Clandeous Creamer (guitarras), Daniel González (guitarras), Chris Aguirre (bateria) e Robert Cardenas (baixo), se apresentou na Burning House, casa de show situada no bairro da Água Branca, na capital paulista, para um público que praticamente lotou o pequeno, porém aconchegante lugar. E nós do Mundo Metal marcamos presença no evento organizado pela produtora Dark Dimensions.

Throw Me To The Wolves

A abertura ficou por conta dos paulistanos do Throw Me To The Wolves, banda que lançou recentemente “Days Of Retribution”, ótimo álbum de estreia.

Com uma sonoridade que nos remete ao chamado Gothenburg Sound, representado por nomes suecos como In Flames, Dark Tranquillity, The Halo Effect, Soilwork, e alguns flertes com a sonoridade atual do Arch Enemy, o quinteto fez uma apresentação honesta e coesa, agradando o razoável público presente, haja visto que alguns ainda estavam chegando ao local.

Photos: Geovani Vieira

Bem recebido e esbanjando carisma, o grupo tem como destaque o vocalista Diogo Nunes (Trend Kill Ghosts). Podemos afirmar que entregaram um show honesto e energético, com excelente performance de palco. Posso dizer sem medo de errar que temos mais um nome forte no cenário atual do Metal nacional, e um disco que merece ser conferido.

Possessed

Ás 20h15m, os donos da noite sobem ao palco destilando os acordes de “The Eyes Of Horror”, faixa do EP homônimo, lançado em 1987.

As duas pedradas seguintes “Tribulation”, do ótimo “Beyond The Gates” de 1986 e “Demon” do mais recente trabalho, “Revelations Of Oblivion” de 2019, formaram a trinca especial de abertura e serviram de aperitivo para um público que aguardava ansiosamente o “prato principal”.

Photos: Geovani Vieira

Após um breve agradecimento, Jeff Becerra dá início ao grande espetáculo com “The Exorcist”, faixa de abertura do aniversariante e quarentão, “Seven Churches“. E sim, Becerra destruiu (no bom sentido) com seus vocais característicos, e agora envelhecidos, porém ainda com aquela essência de outrora. A propósito, o cara está cantando muito.

Se temos um disco sendo executado na íntegra, então o setlit do show tem obrigação de seguir exatamente a ordem das faixas presente no mesmo. Sendo assim, as românticas (contém ironia), “Pentagram”, “Burning In Hell”, “Evil Warriors” e “Seven Churches”, foram músicas que incendiaram o público. A banda estava afiadíssima, destacando as performance animais (e individuais) do guitarrista Clandeous Creamer, e do baterista Chris Aguirre. Que dupla absurda!

Esbanjando carisma

Estampando largo sorriso no rosto e esbanjando simpatia, Becerra, que já tinha o público nas mãos (sem se esforçar para tal) deu continuidade na avalanche sonora. O Possessed seguiu destruindo tudo com “Satan’s Curse”, seguida de “Holy Hell” e “Twisted Minds”, mais uma trinca devastadora, para a alegria dos presentes.

Photos: Geovani Vieira

Após mais um momento de agradecimentos, eis que as badaladas dos sinos anunciam “Fallen Angel”. Particularmente, uma das músicas mais absurdas da banda e também da década de 80, incendiando o local que quase veio abaixo.

Aqui, é preciso destacar mais uma vez os trabalhos excepcionais do baterista Chris Aguirre. Ao unir forças com as linhas velozes, pesadas e marcantes do contrabaixo de Robert Cardenas, os músicos formaram uma dupla excepcional. Simplesmente perfeitos.

Possessed proporciona show de alto nível

E já que falei em perfeito, perfeição é sem dúvida a definição exata para “Death Metal”. Faixa que encerrou o show de forma espetacular, e que também encerra um dos trabalhos mais marcantes da música extrema. Aliás, este é um dos alicerces responsáveis pelo nascimento de novos nomes que semearam um estilo nada sutil, mas amado por muitos.

Para o encore, o Possessed nos brinda com “Graven” , mais uma do mencionado “Revelations Of Oblivion” e “Swing Of The Axe“, mais uma do EP “The Eyes of Horror”, fechando a noite em altíssimo nível numa apresentação com pouco mais de 60 minutos de duração, mas que deixou uma gama de fãs extasiados e de alma lavada, embora a impressão é que o show não chegou aos trinta minutos de duração.

Em uma apresentação marcante, repleta de “altos!, o Possessed mostrou que algumas bandas são como vinho, quanto mais velho, melhor!

Photos: Geovani Vieira

A simbiose musical entre público e banda também deve ser destacada, afinal de contas, tínhamos ali uma platéia ávida por música extrema aplaudindo cada acorde tocado, e músicos que pareciam ter em mãos a missão de incendiar o local com um show simples, direto e honesto.

Destacar algo negativo aqui é simplesmente fazer o papel de “tiozão chato do rolê”, haja visto os pequenos problemas no microfone (microfonia) de Jeff Becerra, bem como as guitarras (baixa) de Claudeous Creamer, no início da apresentação. Mas tudo foi sanado imediatamente, garantindo assim uma performance destruidora, para os sortudos e privilegiados que lá estiveram.

Analogia:

Quatro décadas após seu lançamento, “Seven Churches”, ainda continua sendo um disco emblemático, necessário e grande fonte de inspiração/influência para novas bandas, já que o mesmo apresenta elementos que foram essenciais para o fortalecimento de estilos como os já citados, Thrash e Death Metal.

Por fim, e não menos importante, é necessário mencionar o ar de satisfação, bem como os sorrisos estampados nos rostos de cada músico, que através da palavras do “monstro” Becerra, agradeceu carinhosamente a presença do público presente, expressando gratidão, amor e carinho à nós brasileiros.

Após mais uma noite memorável, e mais um show inesquecível, esperamos que um novo registro de inéditas do Possessed seja brevemente lançado trazendo consigo as características musicais de outrora, e que mais uma vez o Brasil esteja na agenda de shows do grupo, e desta vez com uma apresentação mais longa, afinal de contas, não estamos tão velhos assim pra bater cabeças.

Photo: Lucca Ferreira (Exodus Brasil)

Para ficar registrado

Após o encerramento do show, Jeff Becerra continuou no palco onde gentilmente e de forma mais solicita possível, autografou, fotografou e cumprimentou seus fãs, que lá estavam também para este momento.

Em um momento “tiete”, este redator não ficou de fora, e garantiu uma foto ao lado desta lenda viva do “Metal da Morte”.

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