Mike Portnoy, do Dream Theater, é sem dúvida alguma um dos principais bateristas do planeta. E isso independe se você está mensurando apenas a questão técnica ou se pensa na questão de status e reconhecimento do próprio trabalho.
Espera-se que Mike busque inspiração ou tenha influências de músicos com um refinamento técnico tão alto quanto o seu. Porém esta projeção acabou não se refletindo em regra e quando Mike resolveu apontar os seus grandes heróis da bateria em uma nova entrevista concedida ao El Estepario Siberiano, suas escolhas foram um tanto surpreendentes, aliás, pelo menos uma delas foi.
Questionado sobre quais foram as suas primeiras inspirações, Mike Portnoy disse o seguinte:
“Costumo dizer Keith Moon (The Who). Mas tem um monte de gente. Ringo Starr (The Beatles) foi um cara muito, muito importante para mim. Neil Peart (Rush) foi um cara muito, muito importante para mim. Mas ver o tipo de baterista que Keith Moon era me fez querer ser um baterista animado, porque pessoas como Ringo e Neil Peart, por mais que sejam meus heróis no palco, são muito discretas, enquanto quando eu via Keith Moon apenas quicando baquetas, jogando e girando, você não conseguia tirar os olhos dele. Eu sabia que queria ser esse tipo de baterista.
E outro que apanha tanto, ele tem uma reputação, mas Lars Ulrich (Metallica), acredite nisso ou não, foi uma grande influência para mim. E muitas pessoas o criticam por sua técnica e tudo mais, mas, para mim, ele foi uma influência porque era mais do que apenas bateria. Ele era o líder da banda, escrevia o repertório, cuidava dos fã-clubes e do merchandising, coproduzia os álbuns e compunha as músicas. Para mim, ele era um exemplo a ser seguido. E até hoje, ele ainda é.
Fui ver o Metallica algumas semanas atrás e, mais do que apenas a bateria, sua personalidade e sua presença, ele foi tão importante para o sucesso do Metallica que, para mim, isso era o que importava. E Neil Peart também — Neil não era apenas o baterista, ele era o letrista e supervisionava a arte. Então, são bateristas assim, que fazem mais do que apenas tocar bateria. Esses são meus modelos a serem seguidos.”
Ao tentar mensurar o tamanho dessa influência de Lars em sua forma de tocar, Portnoy disse o seguinte:
“Lars foi um pioneiro no estilo de música que o Metallica toca. Quando eles surgiram em 1983, ou algo assim, foi uma virada de jogo. Eles estavam inventando um estilo inteiro de música e ele estava na vanguarda disso. Então, você tem que dar crédito a ele por isso. E naqueles quatro primeiros álbuns, sua bateria era muito progressiva — muito agressiva e progressiva. Foi só com o ‘Black Album’ que ele começou a diminuir um pouco o ritmo, mas nesses quatro primeiros álbuns eu aprendi muito sobre bateria de Metal. E não apenas Lars, mas também Dave Lombardo (Slayer), Charlie Benante (Amthrax), Vinnie Paul (Pantera), Mikkey Dee com o King Diamond — todos eles foram grandes para mim naquele período.”