Em 2012, São Luís do Maranhão foi palco de um dos momentos mais frustrantes da minha vida como amante do Heavy Metal. O Maranhão Open Air (MOA), anunciado com pompa como o maior festival de Metal da América Latina, prometia algo grandioso. Para mim, era mais que um evento – era a iniciação. Meu primeiro festival. Um sonho alimentado por anos, embalado por riffs, camisetas pretas e a paixão por um gênero que sempre me fez sentir vivo.
Ao analisar as bandas estampadas no site oficial do evento, tudo parecia tão perfeito que até mesmo ofuscava os sinais de que aquilo poderia ser uma grande furada. Eu ignorei quando o evento foi inicialmente divulgado como a versão brasileira do Wacken, sendo logo desmentido pelo próprio festival alemão. A verdade é que o sonho de um adolescente ainda permanecia em mim. Dessa forma, onde há sonhos irreais, também há decepções.
E o que encontrei por lá?
Antes de chegar a essa parte, preciso dizer que praticamente vendi a alma da minha família para comprar os ingressos e as passagens aéreas de Belo Horizonte até São Luís. Contudo, segui apenas com um sonho na cabeça e camisetas de banda dentro da mochila.
Mas o que encontrei foi o caos. Palcos sendo montados no horário em que as primeiras bandas já deveriam estar tocando. Bandas? Várias canceladas. Problemas de som, estrutura precária, bem como uma organização que ia além do amadorismo. Vi músicos indignados, vi a banda Blind Guardian no aeroporto deixando a cidade sem sequer subir ao palco, vi fãs revoltados… e senti na pele o que é a decepção em sua forma mais crua. Aquele festival, que deveria ser um rito de passagem, foi um verdadeiro inferno. Um batismo de fogo – e não do tipo épico.
Dez anos se passaram.
Em 2022, pisei em solo sueco para o Sweden Rock Festival. Era outro momento da minha vida, outra realidade, outra cultura, outro mundo – no sentido geográfico e também existencial. Mas o espírito do metal que me moveu até ali ainda era o mesmo de 2012 – e continua sendo o mesmo em 2025.
Desta vez, sem as angústias e decepções vividas dez anos antes, pude me entregar às emoções mais intensas que já vivi. Desde a loucura nos shows de Death/Black Metal até apresentações intimistas, que me levaram às lágrimas e reflexões profundas sobre tudo o que vivi até chegar ali.
Dez anos separaram o inferno do paraíso.
E entre esses dois extremos, cresci como fã, como pessoa – e aprendi que até mesmo os piores começos podem ser apenas o início de uma história incrível.
A verdade é que o futuro, apesar de ser apenas uma projeção a partir de nossas experiências passadas, pode, sim, ser construído. E essa construção passa inegavelmente pelas nossas ações e pela esperança — a esperança de que, mesmo quando o presente se mostra conturbado, há uma estrada que pavimentamos com nossos próprios passos.
Aquele carinha lá de 2012, apesar das decepções em seu primeiro festival, continuou acreditando que um dia tudo aquilo seria apenas história — e que algo maior ainda estava reservado no futuro. Dez anos depois, lá estava o futuro, destroçando toda aquela experiência angustiante de 2012.
É importante olhar adiante, sempre. E, quando olhar para trás, que seja apenas para refletir sobre a estrada que foi construída.