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Black Sabbath: “Eu considerei isso uma zombaria. Para aqueles que conseguem enxergar além do circo montado ao redor do Ozzy”, diz Regis Tadeu

Black Sabbath: "Eu considerei isso uma zombaria. Para aqueles que conseguem enxergar além do circo montado ao redor do Ozzy", diz Regis Tadeu

Photo: Icon Sportswire via Getty Images

O recente anúncio do último show do Black Sabbath e despedida de Ozzy Osbourne dos seus fãs, abalou os alicerces do metal, e o assunto domina as discussões da comunidade do metal nas redes e na imprensa musical. Diante de tudo o que envolve a despedida de Ozzy Osbourne e Black Sabbath com sua formação original, o crítico musical e jornalista Regis Tadeu também opinou sobre o assunto:

“É evidente que essa notícia pegou todo mundo de surpresa, e ninguém vai discordar que o Ozzy realmente merece uma despedida grandiosa e digna, independente do Black Sabbath já ter se despedido naquela turnê que acabou em 2017 justamente em Birmingham, e que rendeu o DVD ‘The End’, que é maravilhoso.

Mas há um detalhe nessa história, que é a saúde completamente comprometida do próprio Ozzy. Eu juro por Deus que eu ficarei muito feliz no dia do show se eu estiver enganado com o que eu vou dizer agora, mas a minha sinceridade é inegociável como você bem sabe.

Esse megaevento foi agendado e organizado para que o Ozzy possa morrer em paz. Morrer em paz com todo mundo, com os amigos, com a família, e principalmente com ele mesmo. Eu lamento, mas é apenas uma constatação óbvia e uma verdade dolorosa que os fãs não podem se recusar a admitir. O evento inteiro não é nada mais que uma tentativa de fazer com que a queda física de uma lenda como o Ozzy, se torne uma espetáculo grandioso, uma despedida repleta de pompa e circunstância, como se o pretenso e mortal Príncipe das Trevas, ainda fosse capaz de se erguer para um grande final e, certamente, o legado individual do Ozzy, será imortalizado no futuro quando ele não estiver mais aqui entre nós, o legado do Black Sabbath então, nem se fala!

Só que o Ozzy já não consegue nem andar, como a própria Sharon Osbourne contou e, muito provavelmente, a fala dele já está irreversivelmente comprometida, tudo isso por causa do mal de Parkinson. Eu juro por Deus… Quando eu vi essa notícia e o cartaz desse evento, eu considerei isso uma zombaria… Para aqueles que conseguem enxergar além do circo montado ao redor do Ozzy.

Mesmo que haja uma outra causa nobre envolvida que, segundo os organizadores, os lucros desse evento serão partilhados entre hospitais que tratam especificamente de pacientes com Parkinson, e também de crianças seriamente doentes na Inglaterra. A causa é nobre, sem dúvida.

Agora vamos falar a verdade, o Ozzy já sobreviveu à mais overdoses de álcool e de maisena de Satanás do que qualquer ser humano deveria. E quem viu o Ozzy recentemente, sabe que ele está cada vez mais parecido com um fantasma do que com um ícone. E o mais irônico, a recusa geral de enxergar isso é quase surreal por parte das pessoas. Todo mundo finge que ele está bem, que a sua presença no palco é uma grande celebração da música, mas ninguém se atreve a encarar o óbvio: o Ozzy agora está completamente dilacerado pela idade e principalmente pela doença e pela decadência física, e espero que não tenha decadência mental. E agora ele será levado para se arrastar para o palco como uma espécie de monumento em cadeira de rodas, ele não consegue andar. E tudo isso para dar ao público e ao próprio Ozzy aquilo que ele deseja, que é o último grito de vida de um artista, mesmo que esse grito tenha sido abafado pela dor e pela exaustão.

O Ozzy, no fim das contas, escolheu voltar para a sua terra natal, a Inglaterra, mais especificamente para Birmingham, para um último show. E é uma escolha nostálgica e uma declaração de quem se tornou um homem fragilizado pela doença, pelo desgaste físico, e pelas inúmeras batalhas travadas ao longo da vida. O Ozzy vai voltar às suas origens, às suas raízes, já voltou… Em uma tentativa de encontrar um ponto de ancoragem em meio a essa tempestade final que é a saúde dele que está completamente despedaçada.”

O evento acontecerá no Villa Park, estádio do Aston Villa, o time de futebol do coração de Ozzy Osbourne e do baixista Geezer Butler, no dia 5 de julho. Além disso, toda a renda obtida da venda de ingressos será destinada para a caridade.

Nomes relevantes como Metallica, Slayer, Pantera, Gojira, Halestorm, Alice In Chains, Lamb Of God, Anthrax Mastodon, tocarão sets próprios durante todo o dia, assim como haverá uma enormidade de músicos conceituados fazendo jams incríveis.

Confirmados até o momento: Billy Corgan (The Smashing Pumpkins), David Draiman (Disturbed), Duff McKagan & Slash (Guns ‘n Roses), Frank Bello (Anthrax), Fred Durst (Limp Bizkit), Jake E. Lee (Ozzy Osbourne, Badlands), Jonathan Davis (Korn), KK Downing (Judas Priest, KK’s Priest), Lzzy Hale (Halestorm), Mike Bordin (Faith No More), Rudy Sarzo (Ozzy Osbourne, Quiet Riot), Sammy Hagar (Van Halen, Monstrose), Scott Ian (Anthrax), Sleep Token II (Sleep Token), Papa V Perpetua (Ghost), Tom Morello (Rage Against The Machine), assim como Wolfgang Van Halen e Zakk Wylde.

Por fim, assista ao vídeo de Regis Tadeu na íntegra:

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