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Duelo Mundo Metal: Live Evil (Black Sabbath) X “Speak of The Devil” (Ozzy)

Duelo Mundo Metal Especial: “Speak of The Devil” (Ozzy Osbourne) x Live Evil (Black Sabbath)

   

No início da década de 80, dois grandes álbuns ao vivo, ambos duplos, rivalizaram no meio da música pesada. Quem ganhou com isso fomos nós, headbangers ávidos por registros ao vivo, até então inéditos, das duas bandas que citamos neste artigo.

Vale lembrar que o ao vivo “Live At Last” (Black Sabbath), capturado durante a turnê do “Volume 4”, em março de 1973, foi lançado por aqui muito depois desses dois petardos.

E é bem por aí que a história se desenrola.

Quando Ozzy Osbourne descobre que o Black Sabbath pretendia lançar um registro ao vivo com Ronnie James Dio nos vocais, cantando, além do material novo, suas músicas antigas também, resolveu fazer o mesmo, regravando, dessa forma, seu material clássico dos anos 70.

Essa ideia não foi bem aceita pelo line up que atuava naquele ano, em especial Randy Rhoads e Tommy Aldridge, pois os mesmos acreditavam que isso seria um retrocesso, tendo em vista os dois grandes álbuns de estreia da carreira do Madman. Na ocasião, Ozzy, que estava pra lá de Bagdá, ficou furioso e despediu a banda toda, voltando atrás assim que a ressaca passou. No entanto, Randy deixou claro que após essa tour deixaria a banda para estudar violão clássico, sua grande paixão.

Line-up de Ozzy para “Speak of the Devil”

Nesse meio tempo, acontece o trágico acidente que o vitimou. Inicialmente, Bernie Torme (Ian Gillan, Atomic Rooster) foi seu substituto, mas, talvez por ele não conhecer o material do Black Sabbath, o line up fracassou.

Em seguida, Brad Gillis (Night Ranger) ocupou a vaga, mesmo não conhecendo nada do material. Rudy Sarzo ficou responsável por ensinar as músicas a ele no hotel. Além disso, Bernie Torme ficava na retaguarda nos shows, caso Gillis esquecesse de algum dos clássicos. Tommy Aldridge, por sua vez, já era acostumado com as canções, pois excursionou por anos ao lado do Black Sabbath com seu Black Oak Arkansas. Ozzy não lembrava bem das letras, não tinha teleprompter nessa época, mas então ele usou um caderno e duas cadeiras para ler as mesmas.

OZZY OSBOURNE / Speak Of The Devil line-up / Acervo

Os registros desse álbum foram feitos no The Ritz, em Nova Iorque, em 26 e 27 de setembro de 1982. A produção ficou por conta de Max Norman, que produzira “Blizzard Of Ozz” e “Diary of A Madman”, e o mesmo trabalhou brilhantemente na captação do show e do público, talvez o maior diferencial entre os dois discos.

Como as músicas, originalmente do Black Sabbath, soaram no “Speak Of The Devil”?

As versões das músicas têm altos e baixos. As linhas de baixo de Rudy Sarzo são muito mais simples do que as de Geezer Butler. Entretanto, Brad Gillis soube reinventar os clássicos à sua maneira, com direito a muitos gritos e alavancas com sua implacável Fender Stratocaster vermelha. O som da bateria é muito claro e Aldridge, pra variar, dá um show nas baquetas.

A produção era algo enorme para a época, com cenários lúgubres, escadarias, carrascos e laser formando cruzes invertidas sobre o palco. Vale lembrar que o anão que aparece no interior da capa dupla, que era responsável por levar drinks ao Madman no palco, era “carinhosamente” apelidado de Ronnie… Vocês devem imaginar o porquê…

   

Na Europa, o título era “Talk of The Devil” e cópias com esse nome são bem raras hoje em dia.

O disco vendeu melhor que o “Live Evil” nos EUA, enquanto na Inglaterra, o Black Sabbath superou nas vendas.

“Live Evil”

Diferentemente de “Speak Of The Devil”, a ilustração da capa de “Live Evil” é exuberante, uma pintura que representa cada um dos títulos contido na bolacha dupla.

Se você observar com atenção, encontrará a figura de um bode na água, entre as representações de “Neon Knights” e “Mob Rules”.

Iniciando com a instrumental “E-5150”, seguida de “Neon Knights”, é um disco bem mais pesado e soturno que o de Ozzy, onde Geezer Butler mostra por que é um dos maiores baixistas do Rock.

O mestre Tony Iommi não deixa por menos e desenrola suas melodias sombrias com maestria, e, é claro, Dio sobra com sua poderosa voz, dando uma roupagem mais macabra aos clássicos “Black Sabbath” e “Iron Man”.

O baixinho também mostra todo seu carisma e versatilidade na versão de “Heaven And Hell”, comunicando-se com a plateia de maneira leve e eficaz, uma pena que tenham se esquecido de captar isso.

“LIve Evil”, o disco das tretas

Esse álbum foi o estopim de alguns conflitos. O primeiro foi entre Sharon Osbourne e seu pai Don Arden, que na época empresariava o Black Sabbath. Ele ficou muito irritado com a notícia do disco e Sharon fez de tudo para que o mesmo fosse lançado antes do “Live Evil”.

Outra divergência grave foi durante a mixagem do álbum, onde Dio se adiantou e iniciou os trabalhos com o engenheiro de som. Semanas depois, quando Geezer e Iommi, sempre chapados na época, chegaram ao estúdio e souberam disso, o acusaram de tentar deixar sua voz mais destacada que os instrumentos da banda, o que fez com que o baixinho saísse e iniciasse sua carreira solo no ano seguinte com o glorioso “Holy Diver”.

O fato abriu caminho para a entrada de Ian Gillan e, posteriormente, o lançamento do infernal “Born Again”.

BLACK SABBATH / “Live Evil” line-up / Acervo
   

Enfim, dois grandes registros que marcaram a época e em especial a minha adolescência, para sempre!

Redigido por: Alan Breslau

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