“Para mim, o importante é garantir que ele nunca seja esquecido”: diz Jack Osbourne ao defender avatar de Ozzy

Jack Osbourne no podcast "The Osbournes"

Em um novo episódio do podcast The Osbournes, Sharon Osbourne e Jack Osbourne comentaram a repercussão envolvendo o recém-anunciado avatar de inteligência artificial de Ozzy Osbourne. O projeto nasce de uma parceria entre a família Osbourne, a empresa de tecnologia digital Hyperreal e a plataforma holográfica Proto, permitindo que uma versão digital do lendário vocalista interaja com fãs por meio de conversas, movimentos e respostas baseadas em seu histórico real.

Durante a conversa, Jack fez questão de esclarecer que a iniciativa não utiliza um modelo aberto de inteligência artificial semelhante aos sistemas populares disponíveis atualmente.

“O que estamos fazendo não é um ChatGPT com o rosto do meu pai. Já falei isso antes. Trata-se de uma IA fechada, que não está conectada à internet. Nós construímos uma base de dados e não posso enfatizar o suficiente que ela contém apenas informações que meu pai realmente disse, fatos corretos sobre ele ou textos escritos com precisão sobre sua vida.”

Resposta às acusações de exploração da imagem de Ozzy

Em seguida, Sharon Osbourne respondeu às acusações de que o projeto teria motivação puramente financeira. Sem poupar palavras, ela defendeu a iniciativa e afirmou que o próprio Ozzy frequentemente demonstrava preocupação sobre como seria lembrado após sua morte.

“Por que viajar de jato quando existe um avião a hélice? O que você está fazendo? A tecnologia avança e sinto muito por essas pessoas. Eu não estou pedindo que participem. Não quero o dinheiro delas e não preciso dele. Sempre vivi muito bem. Quando alguém diz que estou tentando ganhar dinheiro em cima disso, não. Vocês não conheciam meu marido. Eu conhecia. E ele dizia repetidamente para mim: ‘Depois que eu partir, por quanto tempo você acha que vão se lembrar de mim?’. E eu respondia que não sabia, porque provavelmente iria junto com ele. Estamos explorando essa ideia há dez anos. E eu não preciso justificar nossas decisões para ninguém. Acham que vou sair usando meu marido para vender herbicida, cigarros ou cerveja? Acham mesmo que eu faria isso? Estamos apenas acompanhando os tempos. É como perguntar por que alguém precisa de um CD quando já existe o vinil. A tecnologia evolui. E eu não vou permitir que ninguém deturpe a imagem do meu marido.”

Jack inclusive acrescentou que um dos pontos mais importantes do projeto é justamente o controle total da família sobre o legado digital de Ozzy.

“O mais importante para mim é que, quando criamos essa versão digital do meu pai, somos nós que a criamos, possuímos e controlamos. É algo que…”

Sharon completou a frase:

“…que será passado para nossa família. É para os nossos netos. E eu não preciso justificar isso para ninguém.”

Sharon Osbourne durante o programa

O filho de Ozzy também abordou as críticas que classificam a iniciativa como exploração comercial.

“No fim das contas, se manter meu pai vivo e acessível para os fãs é considerado uma tentativa de ganhar dinheiro, então eu me declaro culpado. Porque, no final, entretenimento e a indústria em que trabalhamos não são instituições de caridade. Mas a tecnologia que estamos usando não é Claude nem ChatGPT. Não é algo ao qual você faz qualquer pergunta sobre qualquer assunto. É uma IA fechada e sem conexão com a internet.”

Jack ainda ironizou, então com alguns comentários alarmistas feitos nas redes sociais.

“Alguém disse: ‘Isso é perigoso. Você não consegue controlar isso’. E eu pensei: ‘O que vocês acham que isso é? O Exterminador do Futuro? Que vai ganhar consciência própria e o Ozzy vai lançar mísseis nucleares?’. Para mim, isso não se trata de fingir que ele ainda está vivo. Para mim, trata-se de garantir que ele nunca seja esquecido.”

Os Osbournes falam sobre diversas maneiras de preservar o legado por gerações

Na sequência, Sharon logo comparou a preservação digital do legado de Ozzy à permanência de obras literárias clássicas ao longo dos séculos.

“E por que ele deveria ser esquecido? Você pode comprar livros escritos há 200 anos e os jovens continuam lendo essas obras hoje. Isso é um crime? Devemos parar de publicá-las? Ou talvez lançar uma edição de bolso? Ou disponibilizá-las online? Que coisa terrível, não é?”

Jack seguiu o raciocínio e mencionou, ademais, audiolivros narrados por personalidades famosas.

“Você pode comprar um audiolivro com alguém conhecido lendo Shakespeare. Ninguém diz: ‘Como ousam explorar a obra de Shakespeare? Não era assim que ela deveria existir’. Isso simplesmente não faz sentido.”

Em outro momento, Sharon destacou que qualquer decisão pública inevitavelmente gera opiniões divididas.

“É redundante discutir isso. Não importa o que você faça, Jack, sempre haverá 50% das pessoas apoiando e 50% criticando. Não existe ninguém no mundo que agrade a todos.”

Os dois também citaram exemplos de outras formas de preservar legados artísticos. Após Jack mencionar o sucesso do filme biográfico de Michael Jackson, Sharon respondeu:

“E ótimo para a família dele. Duas gerações inteiras não puderam vivenciar sua carreira, e agora muitas crianças estão dançando ao som de ‘Thriller’, ‘Billie Jean’ e tantos outros clássicos. O que existe de errado nisso? Música boa não envelhece.”

Encerrando o tema, Jack afirmou acreditar que esse tipo de tecnologia se tornará comum para figuras públicas nas próximas décadas. Sharon reforçou o argumento lembrando o sucesso dos espetáculos digitais do Abba.

“Escute, o Abba tem um show e eles nem morreram. Existem três atrações deles em Londres ao mesmo tempo. Um espetáculo com avatares, ‘Mamma Mia!’ e outro formato semelhante a um jantar temático. Tudo isso acontecendo simultaneamente.”

O chamado “Digital Ozzy” começará a aparecer a partir do final do verão do hemisfério norte em unidades Proto Luma instaladas nos Estados Unidos e no Reino Unido. A tecnologia utilizará holografia em tamanho real, resolução 4K, inteligência artificial conversacional e o sistema Digital DNA da Hyperreal, desenvolvido para reproduzir de forma autenticada voz, aparência, movimentos e personalidade de figuras públicas.

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