Roberto Barros revela forte discussão com Edu Falaschi nos bastidores e diz que recebeu 10x menos do que merecia

Quando Edu Falaschi iniciou sua carreira solo, um dos nomes mais celebrados ao seu lado era o do guitarrista Roberto Barros. Apresentado como uma espécie de “guitar hero” da nova fase do vocalista, Roberto rapidamente conquistou espaço entre os fãs graças à sua capacidade técnica e pela facilidade com que executava algumas das passagens mais complexas do repertório do Angra. O próprio Edu frequentemente destacava o talento do músico em entrevistas, especialmente durante os ciclos de divulgação dos álbuns “Vera Cruz” e Eldorado.

Apesar do sucesso da parceria, os objetivos dos dois músicos começaram a seguir caminhos diferentes com o passar dos anos. Enquanto Edu passou a dedicar boa parte de sua agenda a turnês celebrando clássicos do Angra, Roberto demonstrava interesse crescente em investir seu tempo na criação de material inédito e em projetos autorais.

Em março de 2025, o guitarrista explicou publicamente os motivos de sua saída da banda. Na ocasião, afirmou que não via mais sentido em continuar participando de turnês baseadas em repertórios que já havia executado inúmeras vezes, preferindo concentrar seus esforços na criação de novas músicas e em projetos próprios. Na época, os argumentos apresentados por Roberto pareciam sólidos e até elogiáveis para quem acompanha a trajetória do músico.

Roberto acusa Edu de contar uma versão incorreta da história

Agora, porém, a discussão ganhou um novo capítulo.

Em um vídeo publicado recentemente, Roberto Barros demonstrou forte incômodo com declarações dadas por Edu Falaschi a respeito do processo de composição de músicas presentes em “Vera Cruz”. O principal alvo das críticas foi a forma como o vocalista teria contado a origem de trechos da faixa “The Ancestry”.

Segundo Roberto, uma gravação utilizada por Edu em entrevistas transmite uma impressão equivocada sobre quem criou determinadas passagens da música:

“Esse áudio que ele mostra aí, que ele dá a entender como se ele tivesse feito e me mostrado, não é verdade isso.”

O guitarrista afirma que o áudio apresentado por Edu não representa a criação original da introdução da faixa, mas sim um momento posterior em que o vocalista sugeria ajustes sobre algo que já estava desenvolvido.

Ao longo do vídeo, Roberto insiste que não está reivindicando autoria exclusiva das músicas, mas sim contestando uma narrativa que, em sua visão, diminui sua participação criativa nos discos.

“Se ele fez, ele fez. Não tem por que mentir. O problema é tomar a glória toda para você se o outro te ajudou.”

“Isso foi exatamente o motivo da nossa última discussão”

Um dos momentos mais surpreendentes do relato acontece quando Roberto revela que esse assunto já havia provocado um desentendimento direto entre os dois músicos.

Segundo ele, a última conversa que teve com Edu aconteceu justamente após uma entrevista concedida pelo vocalista à Rolling Stone, na qual o mesmo áudio teria sido utilizado.

“Na última conversa que a gente teve foi exatamente sobre esse conteúdo desse vídeo. Ele tinha dado uma entrevista para a Rolling Stone e nessa entrevista ele fala exatamente isso, mostra esse áudio. E eu mandei dois áudios furiosos.”

De acordo com Roberto, a conversa acabou evoluindo para uma discussão.

“A gente meio que discutiu ali e ele me disse: ‘Cara, mas eu fiz essa entrevista logo que você tinha saído da banda, o sangue estava meio lá em cima’.”

Apesar do atrito, os dois teriam encerrado a conversa em tom amigável. Ainda assim, Roberto afirma ter feito um pedido direto ao ex-companheiro:

“Eu falei: ‘Cara, só não faz mais isso. Porque isso é a minha herança do que eu fiz’.”

Mais adiante, ele reforça que sua insatisfação não está relacionada à necessidade de ser citado em entrevistas.

“Ele não precisa falar de mim nunca. Pode simplesmente me esquecer. Mas não muda a história, que aí é foda. Aí não tem como eu me calar.”

O acordo financeiro de R$ 10 mil

Outro trecho que chamou atenção dos fãs foi a revelação de detalhes financeiros envolvendo sua participação nos trabalhos.

Segundo Roberto, após muitas discussões e a intervenção de pessoas ligadas à banda, ele e Edu chegaram a um acordo financeiro referente ao período em que trabalhou nos álbuns.

“Depois da gente brigar muito, com intervenção de muita gente dentro da banda, eu e o Edu chegamos a um acordo na época de 10 mil reais.”

O guitarrista afirma que, antes disso, apresentou ao vocalista uma estimativa dos gastos que teria acumulado ao longo dos anos dedicados aos discos.

“Eu mostrei para ele com cálculos que os meus gastos nos dois discos, um ano e meio de um, um ano de outro, pagando minhas passagens, trabalhando mais de 20 dias por mês, 10 horas por dia, passavam de 90 mil reais.”

Apesar da diferença entre os valores, Roberto afirma que aceitou o acordo para encerrar a questão.

“A gente chegou num acordo de 10 mil reais. Eu aceitei porque vi que era aquilo ou nada. Mas eu sinto que eu fiz pelo menos dez vezes mais relacionado ao valor disso.”

“É a única coisa que me resta”

Talvez o trecho mais emocional do vídeo seja aquele em que Roberto explica por que continua insistindo nesse assunto mesmo anos depois.

“Eu vou encher o saco sim, porque é o que me restou. É o meu direito intelectual.”

Na sequência, ele amplia a reflexão:

“São as horas, dias e semanas que eu passava longe da minha casa, da minha família, para estar trabalhando num CD que me deu muitos frutos, mas não era meu, que eu não ganho nada.”

E conclui:

“É a única coisa que me resta.”

Um debate que dificilmente terá consenso

Embora Roberto tenha todo o direito de apresentar sua versão dos fatos, também é verdade que a situação levanta algumas reflexões importantes.

O guitarrista decidiu deixar a banda por vontade própria. Também aceitou o acordo financeiro que encerrou aquela relação profissional, mesmo considerando o valor abaixo do que acreditava merecer. A carreira seguiu para ambos e os discos continuam registrando oficialmente sua participação.

Além disso, processos criativos raramente são lembrados de forma idêntica por todos os envolvidos. Em praticamente qualquer banda, compositor ou parceria artística, é comum que existam divergências sobre quem teve maior participação em determinadas ideias, arranjos ou estruturas musicais.

Talvez por isso a discussão soe como mais um capítulo das intermináveis polêmicas envolvendo o chamado “Angraverso”, universo onde frequentemente ex-integrantes, colaboradores e músicos ligados a Angra, Shaman e projetos derivados acabam transformando divergências internas em debates públicos.

No fim das contas, existe um fato impossível de apagar: “Vera Cruz” e “Eldorado” são dois excelentes álbuns, e o nome de Roberto Barros continua ligado a eles para sempre. Seus créditos permanecem registrados nos discos, nos encartes e na história daquela fase da carreira de Edu Falaschi.

Agora resta saber qual será o próximo capítulo de sua trajetória. Se Roberto seguirá revisitando os bastidores de sua passagem pela banda ou se concentrará na construção de um novo projeto autoral capaz de fazer com que sua participação na carreira solo de Edu Falaschi seja lembrada apenas como o ponto de partida de uma história ainda maior.

@roquerolpaulera

Roberto Barros crítica Edu Falaschi sobre não ser reconhecido nas composições do álbum Vera Cruz #metal #hevymetal #rock #angra

♬ som original – roque rouu paulera
Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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