Dimmu Borgir: “Fizemos uma coleção de grandes músicas sem comprometer nada”, sobre novo álbum

O guitarrista Sven “Silenoz” Kopperud, da banda norueguesa Dimmu Borgir, revelou novos detalhes sobre o aguardado novo álbum “Grand Serpent Rising”; com lançamento marcado para 22 de maio via Nuclear Blast Records.
Em entrevista ao podcast Everblack, o músico destacou que o grupo alcançou seu principal objetivo com o novo trabalho:
“Claro que você tem uma expectativa de como quer que o público receba. Mas, no fim das contas, nos sentimos muito confiantes e sentimos que fizemos uma coleção de grandes músicas, e isso é essencialmente o que o novo álbum é. Se ele resistir ao teste do tempo como um dos nossos melhores álbuns, então que assim seja. Isso ainda será visto. Mas acho que alcançamos o objetivo, que era fazer mais um disco com ótima sonoridade.”
Ao comentar sobre a recepção do material, Silenoz refletiu sobre a natureza subjetiva da música:
“Acho que especialmente o álbum anterior, ‘Eonian’, e talvez este ainda mais, tem coisas que impactam imediatamente e outras que precisam de mais tempo, o que geralmente é sinal de um grande disco. Alguns álbuns são imediatos e continuam ótimos 15, 20 anos depois, mas tudo depende do que você espera, quer e precisa dos artistas. Um novo álbum é sempre algo subjetivo, não é? Então inevitavelmente vai decepcionar muitas pessoas, mesmo antes de ouvirem. É a realidade de hoje.”
O guitarrista foi direto, explicando o difícil processo de “matar suas próprias ideias”, durante o processo criativo do novo álbum:
“Pode soar arrogante, mas acho que, se existe alguma pressão, é a que colocamos em nós mesmos, não vem de fora. Depois de tantos anos e décadas lançando álbuns, isso sempre fica no fundo da mente. Você quer que os fãs aprovem o que você faz, porque há muito tempo e energia investidos. Mas, falando agora, antes mesmo do lançamento, já é um sucesso de muitas formas, porque alcançamos o que queríamos: fazer uma coleção de grandes músicas do nosso jeito, sem comprometer nada. Isso já me deixa orgulhoso. Claro, ver as pessoas gostando e indo aos shows é o bônus, a cereja do bolo. Esse é o momento crucial em que o produtor dentro de você aparece. Por mais que doa, você precisa deixar o ego de lado e enxergar as músicas como um todo. Imagine quantas ideias ótimas ficaram de fora — tivemos muito mais material do que o que entrou no álbum. É um golpe no ego, porque você trabalha horas em algo que acaba não sendo usado. Mas faz parte de ser artista: você precisa sacrificar para alcançar o objetivo final.”
Sobre a produção, realizada novamente com Fredrik Nordström em Gothenburg, Silenoz destacou o preparo da banda:
“Chegamos ao estúdio muito bem preparados. Já temos demos detalhadas de cada música, então sabemos exatamente o que queremos destacar. Para nós, o álbum está praticamente pronto antes mesmo de gravarmos com Fredrik. Vivemos com essas músicas por anos — algumas desde 2018 ou 2019. No estúdio, o foco é executar e dar a produção final. Há pouco espaço para improvisação nesse estágio.”
Refletindo sobre sua longa parceria com o vocalista Stian “Shagrath” Thoresen, desde a fundação do Dimmu Borgir em 1993, ele afirmou:
“Não é fácil, e nada grandioso vem do caminho mais fácil. É preciso determinação, foco e persistência. As pessoas veem apenas o sucesso, mas não os fracassos. Eu e o Shagrath temos o mesmo nível de comprometimento com o que criamos. Somos diferentes em muitos aspectos, mas concordamos mais do que discordamos. E isso é essencial. No fim das contas, ainda fazemos isso porque queremos, não porque precisamos. Se fosse por obrigação, lançaríamos um álbum a cada dois anos. Mas levamos tempo porque amamos criar. Para fazer algo realmente grande, é preciso sacrifício — e as pessoas não fazem ideia do que isso realmente significa.”

Sobre o título “Grand Serpent Rising” e suas novidades, musicalmente, Silenoz destacou uma mudança em relação ao trabalho anterior:
“Ele se encaixa perfeitamente. O Dimmu Borgir é uma banda de grande escala, e estamos ascendendo novamente. A serpente pode representar o mal para alguns, mas para nós simboliza renovação, crescimento, conhecimento e libertação — trocar de pele, por assim dizer.”
“Uma das maiores diferenças em relação a ‘Eonian’ é que reduzimos um pouco os corais e a orquestração. Esses elementos são essenciais, mas desta vez aparecem apenas onde realmente agregam força — e quando aparecem, você sente de verdade.”
Por fim, o guitarrista comentou a confiança no resultado final:
“Fredrik nos disse que este é o melhor álbum do Dimmu Borgir em que ele já trabalhou. Ele não precisava dizer isso — e quando diz, fala sério. Sei que é clichê dizer que este é nosso melhor álbum, mas por que continuaríamos fazendo isso se não sentíssemos assim? Quando a banda e o produtor sentem que a missão foi cumprida, o que vem de fora — fãs, críticos — se torna secundário. Se as pessoas gostarem, ótimo. Se houver críticas, tudo bem também. Seguimos nosso próprio caminho.”