Chemicide: Thrash Metal costarriquenho com olhos na América Latina e no mundo

Recentemente, estive em São José, na Costa Rica, e tive o prazer de me encontrar com a banda Chemicide em uma das praças da cidade. O encontro rendeu uma conversa sobre a trajetória do grupo, os desafios do Metal latino-americano e os planos para os próximos anos.

Chemicide é uma das principais representantes da chamada New Wave Of Thrash Metal na América Central. Com uma sonoridade que combina a agressividade do Thrash clássico com a energia do Metal moderno, a banda carrega consigo não apenas o nome da Costa Rica, mas de toda a América Latina.

Das origens ao nome

A história da Chemicide começa em 2006, sob o nome de Conqueror. Dois anos depois, veio a mudança: descobriram que já existia uma banda no Canadá com o mesmo nome e precisaram alterá-lo. Foi assim que surgiu Chemicide, uma abreviação de Chemical Genocide — “genocídio químico” em português —, um nome que carrega a força e a crítica presentes em suas letras e em sua estética.

Evolução sonora e estabilidade

O primeiro álbum completo, Episode of Insanity, veio apenas em 2015. De lá para cá, a banda lançou mais quatro discos: The Act of Retaliation (2017), Inequality (2019), Common Sense (2022) e Violence Prevails (2025). Foi justamente com o último que tive meu primeiro contato com o som do grupo, por meio de um clipe que surgiu no YouTube.

De acordo com o Chemicide, a banda passou por diversas mudanças de formação ao longo dos anos, mas todas foram positivas. “A banda amadureceu o som”. “Melhorou a cada disco.”

O desafio de atravessar o oceano

Um dos pontos centrais da conversa foi certamente a dificuldade que bandas latino-americanas enfrentam para tocar na Europa. A Banda Chemicide foi direto: “É complicado ir para a Europa porque é muito caro, e, além disso, eles preferem as bandas locais e os americanos.” Apesar disso, a Chemicide tem conseguido abrir portas aos poucos, participando de festivais e eventos menores no continente europeu.

Uma cena forte em um país pequeno

Em San José, algo que me surpreendeu: a quantidade de pessoas usando camisetas de bandas de Metal. Minha esposa, também notou: parecia algo mais comum na Costa Rica do que no Brasil. Chemicide explicou que, embora a Costa Rica tenha cerca de 2 milhões de habitantes na região metropolitana da capital, a cena é bastante ativa. “Apesar de sermos poucos habitantes, é uma cena muito forte”. “E o bom é que há muito apoio das pessoas com as bandas locais.”

Planos para 2026 e 2027

Para os próximos anos, a banda Chemicide não pretende parar. Um novo disco está em produção e tem lançamento previsto para 2027. Antes disso, a banda está indo em turnê pelo Canadá e um retorno à Europa em novembro de 2026. Mas o que mais animou este que vos escreve foi a menção ao Brasil: a intenção é fazer cerca de dez datas por aqui, passando por Curitiba, São Paulo e, com sorte, por Minas Gerais.

Considerações finais

A banda Chemicide tem representado o Thrash Metal latino-americano com competência e autenticidade. Mais do que isso: tem mostrado que é possível, sim, construir uma trajetória sólida fora dos grandes centros, atravessar fronteiras e levar o peso da nossa região para o mundo.

Para quem ainda não conhece o Chemicide, o canal Além do Metal Clássico já conta com vídeos em que comento sobre a banda, seja em análises geográficas do metal, seja em recomendações diretas. Fica aqui o registro dessa conversa e a expectativa de reencontrar os hermanos em solo brasileiro em breve

Assista mais vídeos do canal Além do Metal Clássico:

2 comentários
  • Excelente banda! Tenho os três álbuns The Act of Retaliation (2017), Inequality (2019) e Common Sense (2022). Três pedradas que adquiri após ter visto clipes no Youtube e a conexão com a banda foi imediata, com um Thrash vigoroso que passeia entre o som do Violator aqui do Brasil, Evildead, Kreator entre outras referências e influências. Banda muito boa e ótima recomendação. Thrash Til’ Death!!!

  • Além do Chemicide, outras pérolas do Metal latino contemporâneo que vale a pena conferir são as bandas Revenge da Colômbia e os paraguaios The Force e Verthebral com um Death Metal old school bem legal. Recomendo!

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