Resenha: Before The Dawn – “Cold Flare Eternal” (2025)

O finlandês Tuomas Saukkonen é figurinha conhecida da cena finlandesa. Só de bandas ativas, ele está em três ao mesmo tempo: Dawn Of Solace (mais voltado ao doom/death metal melódico), Wolfheart (death metal melódico com letras sobre mitologia e natureza nórdica) e ainda o Before The Dawn (death metal melódico com um toque de gothic metal), ou seja, o multi-instrumentista é um workaholic inveterado.

Seu novo trabalho lançado pelo Before The Dawn, “Cold Flare Eternal” (2025), disponível por aqui pela Shinigami Records em parceria com a Reaper Entertainment, atinge não só a respeitável marca de nove discos lançados, como efetiva de vez o retorno do grupo, realizado em 2021 depois de onze anos inativo e testado, vamos dizer assim, no disco anterior, “Stormbringers” (2023).

“Cold Flare Eternal” (2025), segundo Tuomo, “é o resultado de pura paixão, a centelha criativa foi especialmente intensa dessa vez”. Tendo a concordar com ele, pois aqui a banda parece estar mais à vontade do que no trabalho anterior, o que para Tuomo deve ter sido um alívio, afinal é ele quem criou todas as letras e boa parte do instrumental.  

Outro ponto é que o disco acaba sendo, inevitavelmente, um pouco não só do Dawn Of Solace e Wolfheart, mas também das muitas bandas que cada um dos seus membros faz parte, olha a lista: o vocalista Paavo Laapotti está no Defiled Serenity e Kuusuo, o baixista Pyry Hanski no …And Oceans, Gloria Morti e Mörbid Vomit e o guitarrista e também produtor do disco, Juho Räihä, no Gloria Morti e I Am The Night. Fechar a agenda de shows desses caras deve ser mais complicado do que montar o calendário do futebol brasileiro.

Diversidade musical

Em um primeiro momento pode parecer que o som do Before The Dawn seja confuso ou misturado por conta de tanta banda envolvida. Mas ocorre o contrário: e sim, você vai ouvir death metal melódico, ponto. Há peso, vocais rasgados/urrados, pedais duplos e outros elementos do death metal, porém é na parte melódica que a meu ver o grupo acerta graças ao vocal limpo de Paava e pelos teclados que dão um certo ar atmosférico/melancólico as faixas.

Questão pessoal, mas foi em faixas assim que o disco me ganhou: “As Above, So Below” e “Stellar Effect” trazem um equilíbrio certeiro de peso com melodia; “Destination” é a que contém mais teclados e “Ad Infinitum” com apenas quatro versos, mas muita emotiva, encerra muito bem o disco. Pra não dizer que não falei do peso, destaco “Shock Wave”, com passagens mais rápidas do que de costume, o que provavelmente exigiu mais de Tuomas.

Bom saber que o Before The Dawn voltou para seguir como um grupo, não como algo paralelo enquanto o Dawn Of Solace ou o Wolfheart estiver parado. Fica o recado de Tuomo: “Confira o novo álbum e nos veja ao vivo. Somos bem bons no que fazemos.”

Nota: 7

Integrantes:

  • Tuomas Saukkonen: bateria
  • Paavo Laapotti: vocais
  • Pyry Hanski: baixo
  • Juho Räihä: guitarra
  • Saku Moilanen: teclados

Faixas:

  • 01 Initium (instrumental)
  • 02Fatal Design
  • 03 As Above, So Below
  • 04 Mercury Blood
  • 05 Stellar Effect
  • 06 Flame Eternal
  • 07 Stronghold
  • 08 Destination
  • 09 Shock Wave
  • 10 Ad Infinitum
Mário Pescada
Mineiro, leitor compulsivo, ouvinte de todas as vertentes do rock - do blues ao grindcore. Valoriza mais a honestidade e entrega em cima do palco do que a técnica. Guarda os flyers dos shows que vai como se fossem relíquias. Autor dos livros "Distorções do Submundo: Dissecando álbuns matadores do underground brasileiro" vol. 1 (2023) e vol. 2 (2024), lançados pela Editora Denfire.
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