Yngwie J. Malmsteen ataca ex-vocalistas e acusa “aproveitamento” de sua marca: entenda a treta com Mats Levén

Photo: Hikari Yuba

Uma recente publicação de Yngwie J. Malmsteen no Instagram reacendeu uma velha discussão no universo do heavy metal: até onde vai o mérito artístico de músicos que participaram de álbuns assinados por um artista solo? No desabafo, o guitarrista sueco mirou especialmente ex-vocalistas que passaram por sua carreira e que, segundo ele, hoje estariam usando seu nome, seus títulos de discos e até elementos visuais associados à sua marca para lucrar com turnês focadas em seu catálogo.

A declaração de Malmsteen na íntegra

A seguir, o texto publicado por Malmsteen (em tradução para o português), na íntegra:

“Então, chegou ao meu conhecimento que esses cantores contratados e pagos, que eu contratei para os meus discos solo, estão todos tentando capitalizar em cima da minha marca!

Vamos deixar isso bem claro: se apresentar nos MEUS discos SOLO não equivale a propriedade, autoria ou legado. Escrever uma linha aqui e ali não torna alguém um compositor, e cantar o meu material não o torna deles. Eles apenas receberam um salário (trabalho por encomenda) para registrar as MINHAS partes escritas, assim como o tecladista, o baixista, o baterista etc.

Se a única forma de você fazer turnê ou chamar atenção é se apoiar na minha marca e usar meu nome e títulos dos álbuns e o MEU catálogo SOLO, então você já respondeu à pergunta sobre quem de fato construiu algo. E — o que eles gravaram/criaram nos últimos 30, 40 anos?”

Embora ele não cite nomes diretamente, o recado acabou sendo entendido como um ataque amplo a ex-vocalistas e ex-integrantes de sua trajetória. Ao longo dos anos, Malmsteen trabalhou com nomes como Jeff Scott Soto, Mark Boals, Joe Lynn Turner, Göran Edman, Michael Vescera, Mats Levén e Tim “Ripper” Owens. Mais recentemente, ele tem dividido vocais ao vivo com Nick Marino.

O estopim: Facing The Animal e shows no Japão

Apesar de não explicar o motivo exato do ataque, o timing do desabafo chamou atenção. Ele ocorre pouco depois do anúncio de Mats Levén sobre uma série de shows no Japão, previstos para maio de 2026, com repertório fortemente centrado em Facing The Animal (1997) — álbum em que Levén foi o vocalista principal.

A coincidência levou muitos fãs a interpretar o texto de Malmsteen como uma resposta indireta a esse tipo de turnê, baseada quase exclusivamente em material associado ao seu nome.

A versão de Mats Levén: colaboração real, não apenas interpretação

O ponto mais sensível da polêmica está na autoria. Em respostas recentes a fãs, Mats Levén afirma que sua participação em Facing The Animal foi muito além da interpretação vocal.

Segundo o cantor, em músicas como “Braveheart”, Malmsteen teria levado apenas o título, enquanto ele escreveu a maior parte da letra e contribuiu com linhas melódicas. Levén também afirma ter participado de forma significativa em outras faixas, como “Enemy” e “Facing The Animal”, além de ter finalizado ideias antigas que remontariam à era Odyssey, caso de “Alone In Paradise”.

De acordo com ele, sua contribuição total no álbum giraria em torno de 30% a 35%, incluindo letras completas e melodias vocais. E precisamos mencionar que isso é algo que contrasta diretamente com a visão apresentada por Malmsteen.

Controle absoluto: do estúdio ao YouTube

A postura do guitarrista também dialoga com uma reputação antiga: a de exercer controle rígido sobre seu catálogo. Malmsteen foi acusado de aplicar strikes no YouTube contra canais que publicam covers, análises ou utilizam trechos de suas músicas com fins didáticos.

Para ele, esse tipo de uso não representa divulgação, mas sim violação de direitos autorais e exploração indevida de sua obra.

Ego, marca e crédito artístico

No fim das contas, a polêmica vai além de egos inflados. Ela expõe um conflito clássico entre crédito criativo e monetização. Para Malmsteen, seu projeto sempre foi essencialmente solo, com músicos contratados para executar uma visão já definida. E isso tornaria ilegítimo qualquer tentativa de vender esses trabalhos como coautoria ou extensão de seu legado.

Mats Levén sustenta que houve colaboração concreta em letras e melodias, algo que, no mínimo, sustenta reivindicações de reconhecimento artístico. Assim, dependendo de contratos e registros, até participação autoral formal poderia ser reivindicada.

Enquanto Yngwie Malmsteen segue priorizando controle total sobre sua obra — inclusive assumindo cada vez mais os vocais —, a discussão promete novos capítulos. Principalmente, à medida que 2026 se aproxima e o repertório de Facing The Animal volte a circular nos palcos fora do controle direto do guitarrista.

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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