Roger Waters lança “Sumud”, nova canção que cita Marielle Franco como símbolo de “resistência inabalável”

A nova faixa “Sumud”, divulgada no último fim de semana por Roger Waters, reacendeu discussões intensas em torno do ex-Pink Floyd, que vive sob constante escrutínio por suas falas políticas. Apesar de seguir firme em seu posicionamento à esquerda, o músico frequentemente enfrenta críticas tanto de opositores quanto de admiradores que apontam contradições em suas declarações. Dessa vez, porém, Waters decidiu voltar ao terreno onde costuma encontrar mais estabilidade: a música.
Ao apresentar “Sumud”, termo árabe que remete a “perseverança” e “resistência inabalável”, Roger Waters mergulha novamente em temáticas de luta e confronta figuras poderosas, especialmente bilionários que, segundo ele, sustentam estruturas opressivas.
Contudo, a composição vai além e cita ativistas de diferentes partes do mundo, incluindo a vereadora brasileira Marielle Franco, o que inevitavelmente deve reacender debates políticos no Brasil.
Logo após mencionar Marielle Franco, assassinada a tiros em 2018 no Rio de Janeiro, o músico recita versos que destacam a permanência simbólica da vereadora, aproximando-a de outras figuras marcantes como Rachel Corrie, Shireen Abu Akleh, Sophie Scholl e Anne Frank. Antes dessa lista de nomes, ele canta:
“Lembro-me bem de você/ De onde você ficou, de onde você caiu/ Você foi brutalmente assassinada/ Mas seu espírito permanece”
Nova canção reafirma a veia politizada de Waters e deve gerar reações intensas em diferentes espectros ideológicos
Mencionando esses nomes, Waters mostra que pretende continuar explorando temas controversos. Waters não abandona a retórica inflamável e tenta se colocar no papel de porta-voz global da luta contra a opressão. Contudo, a letra evidencia mais uma vez seu costume de instrumentalizar causas alheias, já que ele cita ativistas de diversos países. Dessa forma, a canção já nasce carregada de tensões, especialmente no Brasil, onde o caso Marielle infelizmente se tornou símbolo de polarização.
Musicalmente, “Sumud” segue a fórmula previsível que Waters repete há anos: vocal áspero, arranjos crescentes e imagens de protesto para reforçar sua narrativa política. Embora a canção ganhe intensidade até o refrão, o impacto artístico perde força diante da persona controversa que ele mesmo construiu. O músico parece acreditar que a dramaticidade natural de sua estética o absolve de suas contradições públicas, mas essa estratégia convence cada vez menos.
Apesar de usar a música como tentativa de restauração de imagem, Waters continua preso ao ciclo de polêmicas que ele próprio alimenta. Roger Waters até tenta soar como alguém comprometido com causas sociais, mas sua postura autorreferente e seu hábito de atacar outros artistas o afastam do papel de líder cultural que busca desempenhar. Assim, “Sumud” chega não como um renascimento artístico, mas como mais um capítulo da longa coleção de controvérsias que hoje definem sua carreira.
Após sua recente atitude lamentável ao atacar Ozzy Osbourne e minimizar a importância do Black Sabbath — episódio visto como completamente desnecessário e desrespeitoso, até por fãs que antes o defendiam, Waters está literalmente sem moral.
