João Gordo: “É por isso que eu abro a bandeira do satanismo, para afrontar. Eles é quem são o mal, não eu”

Durante uma nova entrevista ao podcast Sem Medo de Errar, o vocalista do Ratos de Porão, João Gordo, respondeu à pergunta do apresentador Paulo Galo sobre a percepção geral em relação às pessoas do espectro ideológico de esquerda. Segundo Galo, essas pessoas são frequentemente vistas como quem “defende criminosos”, comentário que ele fez enquanto mencionava a megaoperação recente no Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho. Diante disso, João Gordo respondeu:
“Eu estou numa fase que os caras vão lá nas minhas redes sociais me xingar e eu nem ligo. Se você bloquear o cara, quer dizer que você se incomodou e dá mais moral pro cara. Então o cara fala umas merdas lá e eu nem falo nada. Antigamente meu Facebook João Gordo era lincado com o meu Instagram, tem um monte de coisa legal dos Ratos, da minha família, coisa que eu curto, e sempre tem lá os filhos da puta: “Urgh, Dado Dollabella!”, tá ligado? “Lei Rouanet” — essas merdas assim. Eu falei: “quer saber de uma coisa? Eu não vou mostrar mais nada para ninguém. “Ah, mas e o seu trabalho?” Que trabalho? Eu não sou pai-de-santo, vai se foder. Agora é só coisa antibolsonaro, antifascista, tá ligado? E anti-Estados Unidos também.”
Paulo perguntou a Gordo se ele acredita que a esquerda perdeu a conexão com o povo comum. Em seguida, o apresentador destacou as pautas defendidas pela esquerda e observou que, em sua visão, a direita não as compreende totalmente. Por isso, acaba se voltando contra essas pautas, muitas vezes influenciada por narrativas. Gordo compartilhou sua opinião sobre o assunto:
“Você sabe o por quê, né? Evangélicos, cara. A grande maioria da periferia é evangélica. Tem muito ladrão evangélico, muito traficante evangélico, é um absurdo, cara. E os evangélicos tem toda essa ideia. Porra, você vai acreditar em cobra falante, velho? Você vai acreditar em costela de Adão? Os caras acreditam. Por que são mal informados, por que não lêem, por que se informam no Whatsapp, se informam no Tik Tok. A cabeça está ficando vez menor. Não aguentam ler um livro — não aguentam assistir mais que quinze segundos de uma explicação. É só dancinha, fascismo, treta. Você pega aqueles reels do Instagram — tem hora que só vem treta, briga, briga, briga… Bêbados, travesti dando porrada, pegando pelo cabelo. Caralho, velho!
Aí eu vi uma matéria… Na China não é assim, na China é controlado, e só coisa que ensina, que explica, artes marciais… Porra, o povo vai embrutecendo. Está bruto e está seguindo esses bagulhos de evangélicos que são atrelados à extrema-direita, que são atrelados à violência, com arminha, que defende o Bolsonaro, pró-Israel, pró-matança, pró-matança de 162 presuntos no Rio de Janeiro. Então, está tudo errado. É por isso que eu abro a bandeira do satanismo que é para afrontar mesmo, esses caras — para dar o contraponto, por que eles é quem são o mal, não eu. Eu ajudo o pobre, eu tenho compaixão. Eu faço solidariedade. Eu não fico desejando o mal para ninguém. Tudo o que eu tenho, eu não roubei. Eu trabalhei e ganhei. Eu tenho pouco, mas é trabalhado. Tenho três mil discos e são meus, eu não roubei nenhum — cinco mil CD’s… é o que tenho, velho [risos]. Meus livros, meus bonecos, tudo comprado com o meu dinheiro “que eu me vendi” [mostrando os dedos do meio] — “que eu me vendi”, tá ligado? Foda-se. Eu não roubei nada.”