Soulfly resgata a chama dos primeiros anos com novo álbum “Chama”

O Soulfly lançou seu décimo terceiro álbum, “Chama”, que chegou nesta sexta-feira, 24 de outubro, pela Nuclear Blast Records. O novo trabalho marca um momento de renovação e de reencontro com as raízes da banda liderada por Max Cavalera, que, segundo o próprio vocalista, buscou neste disco um retorno à atitude crua e explosiva dos primeiros anos do grupo.

Gravado no Platinum Underground Studio, em Mesa, Arizona, o álbum foi co-produzido por Zyon Cavalera e Arthur Rizk, com quem Max já havia colaborado anteriormente.

Em entrevista recente ao canal Belgian Jasper, Max explicou que a essência de “Chama” não está necessariamente em resgatar o som clássico dos primeiros álbuns, mas sim a atitude que moldou o Soulfly desde o início. “Este disco é mais sobre a atitude do que qualquer outra coisa. Ele tem um espírito punk, direto, cheio de convicção”, afirmou o vocalista. Com faixas intensas, como “Storm The Gates”, “Nihilist” e “No Pain = No Power”, o álbum exibe a energia de quem tem muito a dizer.

Nova abordagem, velhas ideias

Max também revelou que suas experiências em projetos paralelos como Go Ahead And Die e Nailbomb tiveram forte influência na criação de “Chama”. “Esses trabalhos me deram liberdade para explorar ideias mais espontâneas, menos polidas. Às vezes, o melhor som é aquele que surge no impulso, no momento”, disse.

Essa abordagem resultou em faixas imprevisíveis, como “Ghenna”, que desafia a estrutura tradicional de verso e refrão. Já em “Storm The Gates”, o Soulfly traz o público de volta à energia dos shows de 1999, segundo o próprio líder do grupo.

A produção familiar de “Chama” reforça a química e o legado dos Cavalera. Zyon Cavalera, filho de Max, comanda a bateria e divide os créditos de produção com Rizk. Enquanto isso, Igor Amadeus Cavalera, outro filho de Max e parceiro de banda no Go Ahead And Die, assume o baixo. Mike De Leon completa a formação na guitarra, e o álbum ainda traz algumas participações especiais de peso. Dino Cazares (Fear Factory), Gabe Franco (Unto Others) e Ben Cook (No Warning), são alguns que adicionam novas camadas à sonoridade intensa do grupo.

Com dez faixas em pouco mais de 30 minutos, “Chama” é um retrato fiel do momento atual do Soulfly — uma banda que continua evoluindo, mas sem esquecer de onde veio. Agora que Max pode explorar o Metal mais old school em seus outros projetos, o Soulfly encontra espaço para se reinventar com liberdade, reacendendo a chama de sua própria essência.

Se isso é bom ou ruim, vai depender do seu gosto pessoal, mas a fúria espiritual e tribal que transformou a banda em um dos nomes mais respeitados do Metal mundial ainda está aqui.

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
Deixe seu comentário