Twisted Sister: “vocês pagam quantias absurdas para ficar a 2.400 metros de distância de um artista”, diz Jay Jay French

Os ingressos estão custando cada vez mais. O preço base já é salgado, mas… o CEO da Live Nation acha que as entradas deveriam ser ainda mais caras. Enquanto isso, a galera comum mal consegue pagar pra ver seus artistas preferidos. O que vcê pensa a respeito?
Jay Jay French, guitarrista do Twisted Sister, não esconde o incômodo com isso. Durante uma entrevista no “The Jacob Buehrer Show”, ele falou sobre os preços abusivos dos ingressos e lembrou dos tempos em que ir a um show era algo acessível — e, de quebra, a experiência era muito mais verdadeira:
“Bem, o que é realmente louco é que, 50 anos atrás, você podia ir ao Fillmore East para ver Jimi Hendrix, Grateful Dead e Led Zeppelin. E o lugar comportava umas 2.000 pessoas. E os ingressos custavam 3 dólares. Isso era o normal. Os ingressos eram três pratas, e se você não tivesse grana para os 3 dólares porque era muito dinheiro, você ia para o Central Park, para o Schaefer Festival, e as mesmas bandas tocavam no Schaefer Festival, e os ingressos custavam 1 dólar.
Pense nisto por um segundo. Tente processar isso. Não me importa se é o Zeppelin, o Grateful Dead, Sly and the Family Stone, não me importa quem seja. Os ingressos custavam 1 dólar e 1,50 dólar. As pessoas não conseguem entender isso. Elas não sacam. Então, todas essas grandes bandas clássicas que eu vi, eu não as vi em arenas. Não as vi em estádios. Eu as vi em bares, clubes, teatros pequenos.
Esse era o luxo que a minha geração teve, que vocês não têm. Vocês pagam quantias absurdas de dinheiro para ficar a 2.400 metros de distância de um artista. Nós não pagávamos quase nada para ficar a 9 metros de distância de um artista.”
Durante a mesma entrevista, Jay Jay French foi questionado sobre por que algumas bandas conseguem alcançar o sucesso enquanto outras ficam pelo caminho. Ele contou que, nos velhos tempos, muita gente da cena musical onde ele surgiu nem sonhava em “estourar” de verdade — a ideia era justamente o contrário: manter um perfil mais discreto, porque isso rendia mais grana no fim das contas:
“Depende de qual é o seu objetivo. Nosso objetivo sempre foi conseguir um contrato com uma gravadora e estourar. Mas tivemos a sorte de crescer na cena de bares de Long Island, que era muito lucrativa, e se ganhava muito dinheiro. Então, nunca passamos fome. Ganhávamos muito dinheiro. Na verdade, muitas das bandas da cena ganhavam tanto dinheiro que não queriam estourar, porque sabiam que ficariam sem grana de novo, e estavam ganhando dinheiro demais na cena dos bares.
Porque, naqueles dias, a cena dos bares era uma loucura. É preciso lembrar que a idade para beber era 18 anos, o que significava que garotos de 15 anos com identidades falsas conseguiam entrar. Então a quantidade de jovens era insana, e os clubes eram gigantescos. Então, quando as pessoas pensam em um clube, no que elas pensam? Um clube para 200 pessoas? 300 pessoas? Nós tocávamos em clubes que comportavam 1.000, 2.000, 4.000, 5.000…
Isso eram clubes. Eram clubes de bandas cover, entende? É um mundo totalmente diferente, uma vida totalmente diferente. E muitas das bandas que saíram daquela vida não queriam deixá-la. Nós nunca quisemos permanecer naquela vida. Então, nós nos arriscamos, deixamos aquela vida e sofremos por alguns anos por causa disso.”
