At The Gates: “ficamos superintrigados com as bandas brasileiras de Death Metal, como Sarcófago”

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No último dia 16 de setembro, faleceu Tomas “Tompa” Lindberg, vocalista do At The Gates, uma das bandas mais importantes da cena de Gotemburgo, ao lado de bandas como Dark Tranquility e In Flames. O álbum “Slaughter Of The Soul” (1995), é considerado um dos grandes clássicos do gênero.

Tomas lutava contra uma terrível doença desde 2023, quando descobriu um carcinoma adenoide cístico (um tipo raro de câncer na boca e no palato). Infelizmente, ele perdeu essa batalha.

Em uma entrevista à Kerrang! em 2021, Tomas contou como aconteceu a sua inserção no universo da música pesada:

“A Nova Onda do Heavy Metal Britânico atingiu a Suécia com força; para onde quer que você olhasse, havia metaleiros e discos do Iron Maiden e do Judas Priest . Era difícil não ser exposto a isso na adolescência, e quando você tem essa idade, toda a atmosfera do metal te toca. Quanto a tocar, foi quando me aprofundei no underground, trocando fitas e coisas do tipo. Depois, ouvi bandas mais rudimentares, como o Hellhammer, e pensei: ‘Talvez isso seja possível, talvez eu mesmo consiga fazer isso.'”

Tomas formou sua primeira banda, Grotesque, aos 16 anos. Na época, ele escolheu para si o pseudônimo Goatspell. Ele explicou de onde veio a inspiração o nome:

“Em certo momento, ficamos superintrigados com as bandas brasileiras de death metal, como Sarcófago. Eles tinham nomes como Antichrist e achamos que esse era o caminho que deveríamos seguir. Na Suécia, tínhamos o Bathory com o Quorthon e algumas bandas mais satânicas ou algo assim, mas a maioria das bandas da mesma época que a nossa era mais voltada para o death metal americano e cantava sobre gore. Queríamos nos destacar e fazer um cruzamento entre o som sueco e as coisas mais obscuras de ocultismo.”

Elaborando sobre a cena de Gotemburgo e se todas as principais bandas daquela cena se conheciam, ele relembrou:

“At The Gates começou alguns anos antes das outras bandas, mas éramos todos da mesma faixa etária, então havia muita gente saindo para assistir filmes de terror e coisas assim. Definitivamente havia uma cena, mas quando você fala sobre o ‘som de Gotemburgo’, todo mundo se esquivava um pouco disso porque ninguém quer ser incluído como parte de um som. Fizemos isso de maneiras diferentes, mas acho que todos tínhamos a mesma ideia de querer fazer algo mais death metal. Não apenas o que já havia sido feito antes, mas indo um pouco mais longe, adicionando mais melodias clássicas.”

Perguntado se havia a percepção de que eles estavam na vanguarda e descobrindo um novo som, Tomas respondeu:

“Com o At The Gates — mesmo quando éramos adolescentes ingênuos —, nós nos mantivemos reservados e tentamos não nos comparar demais com outras pessoas, encarando isso como uma carreira. Queríamos apenas fazer a música que queríamos ouvir, embora soubéssemos que era diferente da maioria das coisas que estavam acontecendo.”

Sobre o clássico “Slaughter Of The Soul”, ele comentou:

“Com Slaughter, queríamos fazer um disco que – na nossa cabeça – causasse algum tipo de impacto. Porque acho que naquele momento na cena death metal havia um pouco de estagnação. Pensamos: ‘Vamos fazer algo importante aqui’. Nossa ideia era comprimir o material que tínhamos feito antes em músicas mais curtas e precisas, e ensaiá-las para que ficassem mais coesas. Houve muito trabalho duro por trás disso, mas sentimos que era agora ou nunca, porque passamos por algumas situações difíceis em turnês antes, e a Earache [Records] basicamente nos tirou do fundo do poço.”

Na época da entrevista, Tomas revelou uma outra paixão, ele dava aulas para crianças de bairros carentes na Suécia

“Eu dou aulas em bairros que você chamaria de bairros com dificuldades sociais e econômicas, e a maioria das crianças ouve hip-hop. Elas conhecem a banda e às vezes ficam curiosas com a quantidade de curtidas que recebemos, ou algo assim, o que eu não sei. Mas elas dizem: ‘É, é legal você fazer isso, Tomas, mas eu não gosto muito.'”

Perguntado se era mais gratificante ver milhares de fãs cantando as músicas ou ajudar crianças carentes a se qualificarem, ele respondeu:

“Essa é uma coisa que eu nunca quero escolher. Essas duas coisas são muito gratificantes. São momentos gratificantes e, enquanto eu conseguir continuar, continuarei fazendo as duas coisas.”

Um novo álbum do At The Gates está a cominho. Tompa gravou os vocais para as demos antes de ficar doente.

“É mais um retorno às “raízes”, provavelmente melhor descrito como uma mistura entre os dois últimos álbuns que fizemos com Anders (Slaughter of the Soul e At War with Reality)”, disse Tomas em sua última declaração.

Diversos músicos e bandas da cena metal prestaram suas homenagens a Tomas nas redes sociais.

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