Para Joakim Brodén, o Sabaton é o último de sua linhagem e representa o legado do Heavy Metal

É claro que o Heavy Metal mudou bastante ao longo dos anos. Muitas bandas com sonoridades mais modernas surgiram e são justamente estas que conseguiram crescer ao ponto de criar uma base maior de fãs.
Apesar dos estilos mais tradicionais continuarem a se proliferar com uma quantidade exorbitante de novos nomes e álbuns realmente bons, é um fato que estas bandas não estão alcançando as massas. As gravadoras seguem apostando em grupos de Metalcore, Nu Metal e em misturas com gêneros mais pops, palatáveis e de fácil absorção.
O Sabaton, essencialmente uma banda de Power Metal, é uma das poucas que desafiam esta lógica. O grupo cresce mais a cada dia e ruma a passos largos em direção ao famigerado mainstream. Mas isso faz com que eles sejam os grandes bastiões de sua época? Isso significa que são um dos poucos que possuem esta proposta?
Nós acreditamos que não, porém, o vocalista Joakim Brodén, em uma nova entrevista ao Metal-Rules.com disse que sim. Quando questionado sobre a longevidade e o apelo multigeracional da banda, ele disse o seguinte:
“Eu não sei, mas talvez sejamos os últimos de uma linhagem nesse sentido. A gente não pensava nisso porque esse era o tipo de música que — era bem comum quando começamos, e é de onde todos nós viemos. Mas esse tipo de som que tem, sim, um pouco de melodias cativantes, um pouco de riffs de guitarra melódicos — a guitarra não sendo usada apenas como um instrumento de percussão — já não tem muita gente fazendo. Obviamente temos o Iron Maiden, que ainda está nessa, mas entre a geração mais jovem, está ficando cada vez mais raro, infelizmente. E eu acho que, de certa forma — bom, não deveria soar como reclamação quando digo isso, e não é — mas acho que, já que não há tantos levando essa herança adiante, nós somos uma das poucas bandas. Se você cresceu gostando desse tipo de música, quem você vai ouvir hoje em dia que ainda faz isso? Quero dizer, nós estamos entre os mais jovens, com certeza, que continuam nesse caminho.”

Evoluir e adicionar elementos experimentais na música é um assunto polêmico dentro do Metal. Existem muitos ouvintes tradicionalistas que não gostam muito quando seus artistas favoritos passam a “inventar moda” e, dessa forma, descaracterizam sua própria fórmula. Sobre isso, o frontman disse:
“Esse é o maior problema para, eu acho, a maioria dos compositores. Não acho que seja um problema específico do Sabaton. Alguns fãs — e não estou dizendo que exista certo ou errado, mas todos somos diferentes — alguns querem que o Sabaton continue sendo realmente o Sabaton, e outros querem ver o Sabaton ser ‘Sabaton plus’, seja lá o que o Sabaton possa vir a ser. Não sei bem como explicar. E nós sempre fomos mais uma banda evolutiva do que uma banda revolucionária. Então, ao longo dos anos, nós ampliamos nossos horizontes, eu diria, trouxemos mais elementos para dentro. Se olharmos, por exemplo, para ‘Ghost Division’ hoje, as pessoas vão dizer que aquilo é o Sabaton em essência. Sim, mas em 2008, aquilo era uma música brutal, direta e pesada. Nunca tínhamos feito nada assim. Depois, essas coisas foram incorporadas — ‘To Hell And Back’, com um pouco de guitarra estilo faroeste spaghetti e tudo mais sendo adicionado. Então, essa tem sido a abordagem até agora. Quero dizer, parece que podemos expandir, desde que não estejamos expandindo apenas por expandir, se é que você me entende.”
E você, amigo leitor, concorda com as falas do vocalista? Deixe sua opinião no espaço destinado aos comentários!