Rock In Rio 2026: “nós somos um festival mainstream, não de nicho. A repetição dos artistas tem a ver com o sucesso que fizeram”

Rock In Rio 2026: "nós somos um festival mainstream, não de nicho. A repetição dos artistas tem a ver com o sucesso que fizeram"
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De acordo com Roberta Medina, vice-presidente da Rock World, empresa responsável pelo Rock In Rio, The Town e Lollapalooza Brasil, o Rock In Rio “é um festival mainstream e não de nicho.” Isso por si só joga um balde de água fria na comunidade roqueira que reclamou aos montes da escassez de bandas de Rock e da exclusão do Dia do Metal na edição passada em 2024 e, que esperam por “mais Rock” e bandas de Metal em 2026.

No post oficial do anúncio das datas do Rock In Rio 2026, vários comentários pediam para que a próxima edição tivesse mais bandas de Rock, também houve diversas sugestões bandas. Não é a primeira vez que Roberta Medina e seu pai, Roberto Medina (criador do Rock In Rio), indicam que o festival não irá priorizar um nicho específico; mas sim, trazer artistas que a maior parte do público “quer ver”. Infelizmente, é tão claro como a luz do dia que artistas de Rock ou Metal não são de longe o que a maior parte do público brasileiro mais quer ver…

Roberta também afirmou que não se importa com a repetição de artistas, porque se estão repetindo, é porque fizeram sucesso. Roberta Medina contou que a próxima edição abrirá com Trap e Rap, e na sequência, Rock e Pop. Bem, não podemos esperar nada tão diferente do vimos na edição passada quanto às bandas de Rock, mas eles podem repetir o Guns N’ Roses e Iron Maiden, já que são as bandas do gênero de maior sucesso no festival e que chamam público. Mas não sabemos se isso irá acontecer, tudo pode ser.

Em uma nova entrevista à revista Veja, Roberta Medina falou sobre os 40 anos do Rock In Rio e compartilhou suas memórias da primeira edição em 1985:

“Era época de new wave (gênero musical popularizado nos anos 1980, com estética colorida), então lembro de colocar gel com brilhos no cabelo e dormir no chão de um camarote qualquer. Tenho outros dois takes visuais: a Rita Lee e a Nina Hagen. Depois de muitos anos com cabelo azul, percebi que era porque uma tinha o cabelo rosa, e a outra, vermelho (risos). Na garagem de casa havia milhares de fotos, e uma marcante era do Ozzy Osbourne, porque a imagem dele era muito forte, com aqueles olhos pretos. Na época em que eu cresci, o Rock in Rio não era um projeto permanente. O que aconteceu em 1985 foi um fato histórico, com brigas políticas, Cidade do Rock destruída, prejuízo gigantesco. O Maracanã (segunda edição, em 1991) foi muito melhor, mas também deu prejuízo. Fizemos em 2001 (a terceira edição) com a força da marca e a paixão do Roberto, mas tudo dizia que daria errado. Quando viemos para Lisboa e passamos a fazer de dois em dois anos, o festival passou a ser uma empresa.”

Quanto à escolha do lineup e o porquê repetir nomes que já vieram na edição passada, Roberta disse:

“Nós fazemos festivais desde 1985, e, se olharmos o cartaz do primeiro Rock in Rio, com Ney Matogrosso, George Benson, Ozzy Osbourne, dá para ver que sempre foi muito diverso. Hoje, cada dia é pensado para um público específico — neste ano abriremos com rap e trap, depois vem o rock e o pop. Óbvio que tudo depende da agenda dos artistas. Tem anos que conseguimos mais, em outros, menos. Lembro que, em 2001, existia a preocupação de que os dinossauros estavam deixando de existir e não teria mais headliners. Hoje, com o digital, novos headliners estão brotando. Os dois palcos principais têm uma linguagem parecida, e o resto da programação complementa a experiência. A gente sabe que a maior parte do público vai com amigos ou família, e nem sempre todos gostam da mesma coisa. O talento da curadoria está em, nos outros palcos, trazer a novidade. A repetição dos artistas tem a ver com o sucesso que fizeram. Esses foram nomes que esgotaram e que o público quer ver. Se as pessoas querem, trazemos de novo, não temos problema com a repetição. Nós somos um festival mainstream, não de nicho.”

A edição de 2024 contou com Deep Purple, Journey, Black Pantera, Crypta, Evanescence, Avenged Sevenfold, Paralamas do Sucesso e NX Zero. Esse cast foi considerado fraco por muitos roqueiros nas redes sociais.

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