“O Metal não tem futuro. Metal é um estilo que só vai morrer daqui pra frente”, afirma Bill Hudson

O guitarrista Bill Hudson (Northtale, I Am Morbid, Doro, Trans-Siberian Orchestra, Circle II Circle), participou recentemente de um novo episódio do podcast Manrasta Connection, e um internauta o questionou sobre como ele enxerga o futuro do Metal com a nova geração de bandas, sobre a continuidade de sua banda de Power Metal Northtale e se o Sabaton realmente faz esgotados na Europa. Veja o que disse Bill Hudson:
“Cara, o Sabaton, hoje, eles vendem mais ingressos na Suécia que o Iron Maiden. Isso na Suécia. Por que você sabe que o sueco é o contrário do brasileiro — o brasileiro não ouve nada do Brasil e na Suécia eles querem ouvir muito as coisas de lá. As bandas são maiores lá. Mas, mesmo assim, eles fazem uma turnê de 20 shows na Europa e é tudo arena, tipo, 10, 15 mil pessoas. Eles estão gigantes hoje. Só que o Sabaton, eu conheço esses caras desde 2007, os caras sempre souberam que daria certo. Eles sempre souberam. É o plano mais bem executado que eu já presenciei na minha vida — de ir do nada para os estádios e falar: ‘Caralho, os caras fizeram mesmo’. Por que são dois caras só, né? Então assim, eu acho que é fora da curva. Não dá para falar: ‘eu vou fazer uma banda tipo o Sabaton e vou ficar grande’ — porque não vai.”
Sobre a continuidade se o Northale vai continuar, Hudson comentou:
“Então, por conta de tudo isso que eu estou falando, provavelmente não. Assinei com a Nuclear Blast, lancei os dois discos que eu queria quando eu era moleque, odiei assinar — um bando de filho da puta, eu quase soquei um dos caras da Nuclear Blast. Pegou um pouco no Brasil, mas também pegou porque é paga pau de Angra [não o público, o som do Northtale]. Nós fomos para o Japão, para a Europa, mas não… Mas tipo assim, eu só perdi grana. Eventualmente, talvez eu faça um single ou outro, mas sem pretensão. O Northtale é a maior projeção do que eu sou musicalmente [foi pelo menos]. É a música que fiz sem pensar em vender nem nada… Mas quando começou a custar dinheiro eu fiquei puto.”
Sobre o futuro do Metal, ele disse:
“Eu acho que não tem futuro, cara. Eu acho que não tem futuro de porra nenhuma para o Metal. Metal é um estilo que só vai morrer daqui pra frente. Tipo, quando eu comprei o ‘Giant Steps’ do John Coltrane em 98, pensando: ‘caralho, esse disco é velho para cacete’ — porra, é de 1960, eu tinha 28 anos. Toda essa música que nós estamos falando é mais velha que isso. Nós estamos falando de um estilo de 40, 50 anos, e os jovens não gostam, não adianta. Tem jovem que gosta, mas não dá para se sustentar nisso. E além disso que nós falamos, está ficando tudo igual. Que banda que é foda que surgiu nos últimos anos? Não tem, cara.”
Rasta observou que há casos isolados de novas de sucesso, como o Ghost, mas que o público do Ghost não é necessariamente o público do Heavy Metal. Hudson comentou:
“Todas as bandas que ficam grandes é isso aí. O Five Finger Death Punch é grande do jeito que é, porque — os caras do exército, quando você fala com esses caras que vão para o Afeganistão, os caras do exército americano, eles ouvem duas coisas: Hip Hop e Five Finger Death Punch. Então, tipo, de alguma forma, tem alguma coisa assim. É pontual. O Ghost é a mesma coisa. O As I Lay Dying, quando saiu o primeiro disco, vendeu para caralho, todas as menininhas ouviam. É assim só que as bandas ficam grandes.”