A péssima repercussão dos ataques de Roger Waters à Ozzy Osbourne no mundo da música

No último dia 12 de agosto, o infame ex-integrante do Pink Floyd, Roger Waters, concedeu uma entrevista que repercutiu muito mal em todo o mundo da música. A conversa aconteceu no The Independent Ink e girava ao entorno das visões políticas de Waters. No entanto, em determinado momento ele resolveu atacar gratuitamente o icônico vocalista Ozzy Osbourne e, se não bastasse, também se desfez do Black Sabbath.
Veja a fala de Waters:
“Ozzy Osbourne, que acabou de morrer, que Deus o abençoe seja lá em que estado ele esteve durante toda a sua vida. Nunca saberemos. Embora ele tenha aparecido na TV por centenas de anos com suas idiotices e bobagens. A música, não tenho a menor ideia. Não dou a mínima.
Não me importo com o Black Sabbath, nunca me importei. Não tenho interesse em morder cabeças de galinhas ou seja lá o que eles façam. Não poderia me importar menos, sabe.”
E para entender o motivo destas falas terem pegado tão mal entre músicos e fãs, precisamos falar sobre liberdade de expressão. Sim, ele poderia e ainda pode criticar Ozzy ou o Black Sabbath, ele tem esse direito. E da mesma maneira, as pessoas podem não gostar e criticá-lo de volta. É uma via de mão dupla inegociável. Aliás, foi exatamente isto que ocorreu.
A começar por Jack Osbourne, filho de Ozzy, que escreveu em suas redes sociais:
“Ei, Roger Waters, vá se foder. Como você se tornou patético e desinformado. A única maneira de você chamar atenção hoje em dia é vomitando besteiras na imprensa. Meu pai sempre achou você um babaca. Obrigado por provar que ele estava certo.”

Nenhum bom senso
A grande questão aqui foi o timing errado. Ozzy havia morrido há poucos dias, a família estava enlutada e os fãs tristes. Poder falar não significa que você deve falar, precisa haver um mínimo de bom senso. Mas parece que Waters não tem nenhum, na verdade, nunca teve.
Diversas celebridades comentaram o episódio e, obviamente, desaprovaram o comportamento do ex-Pink Floyd. E quando você verifica o calibre dos artistas que se pronunciaram, percebe o quão ruim foi a fala.
Robert Plant, vocalista do Led Zeppelin, disse: “Isso simplesmente não é verdade”, em resposta a Waters. Em seguida, Ringo Starr, baterista dos Beatles, comentou: “Isso foi tão desrespeitoso”. Kelly Osbourne escreveu: “como algumas pessoas são horríveis” e, por fim, Mick Jagger, vocalista dos Rolling Stones, disse: “Absolutamente desrespeitoso”.
Persona Non Grata
Além de ter sido um timing completamente equivocado para uma crítica direta à Ozzy, Waters ainda desdenhou da importância do Black Sabbath, o que acabou soando como desrespeito a toda comunidade do Heavy Metal. Devemos lembrar que as comunidades do Rock — ao qual Waters está inegavelmente inserido — e do Heavy Metal, são como irmãs. Basicamente, há uma quantidade enorme de fãs em comum entre ambas e, sem dúvida, este foi um grande tiro no pé.

Roger não apenas zombou de um músico, mas de uma das figuras responsáveis pela criação de um gênero musical e que possui milhões de fãs espalhados pelo mundo. A própria história de Ozzy é um tapa na cara de Roger. O Madman vendeu mais de 150 milhões de discos, ganhou 5 Grammy Awards, foi induzido duas vezes no Hall da Fama do Rock and Roll, possui estrelas na Calçada da Fama de Hollywood, além de ter ganhado um Emmy pela série televisiva “The Osbournes”.
O impacto de Ozzy Osbourne na cultura é incalculável e pudemos ver isso de perto quando o músico faleceu. As redes ficaram inundadas de homenagens, todas as grandes emissoras do mainstream falaram de Ozzy, músicas do cantor retornaram aos charts da Billboard e uma comoção poucas vezes vista — comparada somente com a morte de Michael Jackson — aconteceu em todo o mundo.
O resultado destas falas foi uma quantidade estratosférica de críticas. A onda de hate em cima de Roger Waters ainda está acontecendo e certamente será algo que ele vai se lembrar. Provavelmente, não aprenderá a lição, mas para a comunidade do Heavy Metal, deixará de ser lembrado como músico brilhante que gravou discos icônicos com o Pink Floyd, para ser o velho amargo que desrespeitou os legados de Ozzy e do Black Sabbath.
Cada um colhe o que planta…
