Resenha: Tormentador – “Morte Negra” (2022)

A cada ano tem havido tantos lançamentos físicos e virtuais que, por mais que tentemos acompanhar, não tem como, vai acontecer de um ou outro bom disco passar batido. Por sorte, acaso ou o nome que queira dar, algumas dessas obras acabam nos encontrando depois.

Foi assim com “Morte Negra” (2022), estreia destruidora do Tormentador. Ao receber da própria banda uma cópia, foi o disco que acabou me encontrando e digo: sorte minha, porque é um petardo!

O Tormentador é formado por dois expoentes e experientes músicos da cena extrema mineira: Rodrigo F. (guitarra, vocais) e Armando Leprous (bateria). Não os identificou? Pois bem, eles foram membros do Holocausto e estrearam logo com “Campo De Extermínio” (1987), máquina de guerra impiedosa lançada pela Cogumelo Records que firmaria o conceito de “War Metal” entre as várias ramificações do Metal.

Música extrema feita por quem entende

Com o fim do Holocausto, repaginado como Holocausto War Metal, a dupla se juntou e resolveu fazer aquilo que sabe de melhor: música extrema com temáticas relacionadas aos horrores da guerra. “Ah, uma continuação do Holocausto”. Não necessariamente, mas é fato que o DNA do Holocausto está aqui, principalmente por suas letras que abordam uma das maiores atrocidades que a humanidade continua praticando: a guerra e todos os seus horrores associados.

Mais do que “Bestial War Black Metal”, o Tormentador carrega influências de Death Metal, Punk e Grindcore. Fãs de Terrorizer, Subterror, Napalm Death, Nausea, Defecation, Holocausto (claro), Blasphemy, Brigada Do Ódio, Sarcófago (primórdios) e Impurity irão encontrar aqui um prato cheio.

Produzido por André Cabelo (produtor de nove em cada dez discos de Metal feitos em Minas), o som do Tormentador é brutal, desesperador, capaz de transmitir sentimentos tão angustiantes e claustrofóbicos quanto sua básica, mas perturbadora capa.

Auxílio de peso

Ao vivo a banda tem contado com a adição de mais dois nomes de peso da cena mineira: Ron Seth (Impurity, Satanicristo) e Arnaldo Nuclear WarHead (ex-Divine Death, ex-Sextrash, ex-Witchhammer). Ou seja, só gente de peso aqui, sem espaços para brincadeiras.

Lançado pela Nuclear War Now! Productions (EUA e Europa) e Brazilian Ritual Records (Brasil e América do Sul), “Morte Negra” (2022) é trilha sonora para conflito armado nenhum botar defeito.

Nota: 9

Integrantes:

  • Rodrigo F. (guitarra, vocais)
  • Armando Leprous (bateria)

Faixas:

  • 01 War Metal Attack
  • 02 Morte Negra
  • 03 A Morte À Espreita
  • 04 Labirinto Dos Ratos (Trincheira)
  • 05 Necroatormentador (instrumental)
  • 06 Uma Nova Guerra
  • 07 Pervitin (Satanic War)
Mário Pescada
Mineiro, leitor compulsivo, ouvinte de todas as vertentes do rock - do blues ao grindcore. Valoriza mais a honestidade e entrega em cima do palco do que a técnica. Guarda os flyers dos shows que vai como se fossem relíquias. Autor dos livros "Distorções do Submundo: Dissecando álbuns matadores do underground brasileiro" vol. 1 (2023) e vol. 2 (2024), lançados pela Editora Denfire.
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